O mercado de apostas e iGaming no Brasil vive um crescimento de 24% nas microtransações, o aumento de 16% no tempo médio de uso das plataformas e o fortalecimento da confiança nas marcas, com taxa de retenção 9% maior em relação a 2024. Os dados são de uma análise conduzida pela Beanalytic, empresa especializada em inteligência de dados.
Segundo Daniel Luz, CEO da Beanalytic, três movimentos principais explicam essa nova fase: “Estamos vendo um aumento significativo da recorrência e do engajamento por sessão, com apostas menores e mais segmentadas. Isso mostra que o apostador brasileiro está mais ativo, mas também mais consciente e busca participar da emoção do jogo em tempo real, sem perder o controle financeiro”, sugere.
Os dados analisados pela Beanalytic indicam que o ciclo de vida do usuário amadureceu. O público permanece mais tempo ativo nas plataformas, experimentando diferentes modalidades (como cassino online, esportes, fantasy e e-Sports). As taxas de retenção aumentaram após o primeiro depósito em 6%, e houve redução no tempo médio entre registro e primeira aposta em 11%, sinal de maior confiança e familiaridade com o produto.
A regulação e a exposição na mídia tradicional também tiveram papel relevante nesse processo. “A regulação funciona como um sinal de legitimidade inicial, mas é a experiência do usuário com fluidez, estabilidade e suporte que sustenta a confiança a longo prazo”, observa Luz.
Um dos achados mais significativos é o papel da aposta como extensão da experiência esportiva. Durante as partidas ao vivo, há aumento expressivo no número de apostas, mas o ticket médio se mantém estável.
“A bet hoje é uma segunda ou terceira tela: o público acompanha o jogo, comenta nas redes sociais e aposta simultaneamente. É uma experiência de envolvimento e entretenimento contínuo”, explica Luz.
Fora dos grandes eventos, o tempo de navegação se mantém elevado, impulsionado por estatísticas, simulações e conteúdos de performance, reforçando o caráter de entretenimento e engajamento constante.
“Os modelos analíticos permitem detectar mudanças sutis no comportamento do usuário como aumento do tempo de sessão ou variação no padrão de depósitos e saques e agir preventivamente”, afirma Luz.
Esses insights ajudam as plataformas a ajustar limites, oferecer alertas e reforçar práticas de jogo responsável, o que aumenta a fidelização e reduz cancelamentos por frustração.
De acordo com o executivo, “o uso ético dos dados não é apenas uma exigência regulatória, é uma vantagem competitiva. Ele gera segurança, fideliza o usuário e sustenta o crescimento de todo o setor.”
Inspirado em mercados como Reino Unido e Estados Unidos, o Brasil começa a adotar práticas de integração entre dados de transação, comportamento e compliance. “Os países maduros mostram que o uso estratégico de dados é o ponto de equilíbrio entre inovação e regulação. Transparência e automação não inibem o crescimento; elas o viabilizam”, reforça Luz.