Procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) entre 2006 e 2016 e atual presidente do Comitê de Integridade da Federação Paulista de Futebol, Paulo Schmitt sugeriu a criação de um órgão especializado junto à CBF para julgar especificamente ações ligadas a apostas esportivas.
A declaração foi feita em entrevista ao Blog da Nadja, no ge, na qual Schmitt lamenta ainda a ausência do Brasil na Convenção de Macolin, elaborada para combater a manipulação de competições esportivas. O tratado foi ratificado em 2014, por França, Grécia, Islândia, Itália, Moldávia, Noruega, Portugal, Suíça e Ucrânia, com a assinatura de outros 32 países europeus, mais Austrália e Marrocos.
A mesma sugestão já foi feita pela Loterias do Estado do Paraná (Lottopar) e pelo diretor de competições da CBF, Júlio Avellar, em depoimento à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado.
"Sugiro que seja um comitê arbitral vinculado à CBF, porém independente e autônomo nas indicações ou por eleição. A matéria é especializada e merece tratamento diferenciado. No movimento olímpico já temos isso, chama-se Comitê de Defesa do Jogo Limpo, órgão vinculado ao COB. Estou cada vez mais convencido de que Justiça Desportiva comum não deve processar e julgar tais casos", afirmou.
Ele também acredita que há avanços no país, mesmo que tímidos, e citou na entrevista o caso da “Máfia do Apito”, de 2005, envolvendo o ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho, como o passo inicial para essa evolução, além de destacar a regulamentação das bets feita pelo Governo Federal.
"A gente precisa trabalhar muito para que a responsabilização ocorra de forma mais contemporânea, a identificação ocorra mais próxima da sua responsabilização. Esses recentes casos que hoje estão sendo noticiados, como casos envolvendo cartões amarelos, servem de alerta", disse ao blog.