Professor da Universidade de Liverpool e especialista em jogos

David Forrest: "É provável que o setor regulado represente uma parte decepcionante do mercado"

22-07-2024
Tempo de leitura 1:30 min

Em entrevista ao jornal O Globo, David Forrest, professor da Universidade de Liverpool (Inglaterra) e estudioso da área de jogos e esportes, analisou a regulamentação das apostas online no mundo e comentou sobre o caso do Brasil.

Na sua visão, é necessário regular e estabelecer restrições para as publicidades do setor. Forrest, que em sua carreira já trabalhou com a British Gambling Commission (reguladora do Reino Unido), defende ainda o monitoramento de contas dos apostadores.

O regulador precisa ser independente. Não pode atrapalhar os apostadores que buscam lazer, mas deve proteger os vulneráveis, o que exige o monitoramento das contas para encontrar padrões problemáticos. Pode haver relutância (das bets) em intervir quando problemas são detectados, já que essas contas geram lucro. Então, o cumprimento dos mecanismos de segurança deve ser inspecionado para garantir que realmente eles sejam aplicados”, afirmou ao Globo.

Questionado sobre o impacto da regulamentação no mercado ilegal, Forrest afirmou que este é praticamente inexistente no Reino Unido. De acordo com o estudioso, o principal público das plataformas que atuam à margem da lei são apostadores que tiveram restrições em suas contas.

Ele apresenta ainda uma estimativa de que entre 0,4% e 0,5% dos adultos são jogadores problemáticos no Reino Unido, porcentagem que oscila entre estabilidade e pequenas quedas desde 2010.

Questionado sobre a prática de apostar entre menores de idade, Forrest respondeu que, “em pesquisas recentes , alguns poucos disseram que jogaram online com o seu próprio dinheiro. A maioria respondeu que estava com os pais no momento da aposta. Os controles de idade nas plataformas parecem ser bem-sucedidos em manter os menores de 18 anos afastados [no Reino Unido]”.

Forrest afirmou ainda que a regulamentação no mercado brasileiro corre um risco.

“Conheço pouco sobre o Brasil, mas os impostos sobre os prêmios dos jogadores e sobre o GGR parecem baixos. Junto a regras mais restritivas, é provável que o setor regulado represente uma parte decepcionante do mercado [total]. Na Europa, França e Finlândia começaram a introduzir mudanças porque as empresas migraram para a ilegalidade. Onde o valor é baixo e restrições são grandes, os clientes comuns podem permanecer no mercado legal, mas os que gastam mais devem migrar. Pelo meu conhecimento limitado, o Brasil corre esse risco”, concluiu.

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