Senadores da base governista e da oposição estão divididos em relação ao projeto de lei (PL) 2.234/22, que legaliza cassinos, bingos e jogo do bicho. Como revela reportagem do Valor Econômico, não há consenso até mesmo entre parlamentares de mesmo partido e viés ideológico.
Do lado dos opositores ao governo Lula, há quem seja a favor e outros contra a proposta. “Cassinos são um investimento privado que gera muito emprego no setor de serviços e entretenimento. As áreas que têm cassinos no mundo, como Las Vegas, ganham muito mais com entretenimento do que com jogo”, afirmou o senador Dr. Hiran (PP-RO), de acordo com o Valor.
Já Eduardo Girão (Novo-CE), que também faz oposição ao governo, é uma das vozes mais críticas à legalização dos jogos. “Quem se favorecerá com isso? Magnatas estrangeiros em detrimento do vício e endividamento dos brasileiros, especialmente dos aposentados e mais vulneráveis. A liberação não gera empregos, facilita lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, corrupção, incentiva o vício e devasta a família”, publicou no Instagram.
Jaques Wagner, à esquerda (imagem: Jonas Pereira/Agência Senado)
O líder do governo Lula, senador Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que não tem "até agora uma posição definitiva de governo. Se for olhar, quem tem a cabeça na Fazenda vai dizer que vai gerar arrecadação”.
A reportagem do Valor traz ainda uma declaração do senador Humberto Costa (PT-PE), da mesma base de Wagner. “Eu, em algum momento, ainda fui favorável à ideia de cassino em algumas estâncias, lugares turísticos e tal, mas eu confesso que hoje não sou mais a favor disso. Espero que o governo não apoie essas proposições, porque vem um discurso: ‘Não, mas o governo vai arrecadar mais, esse dinheiro está se perdendo’. E o custo que isso tem, não é? É um custo social, é um custo da saúde mental das pessoas.”
O Ministério da Fazenda acompanha o andamento do projeto, mas não tem uma posição oficial até o momento.
Havia a expectativa de que o PL 2.234 seria votado nesta quarta-feira, dia 5 de junho, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.
O site BNLData, no entanto, informa que o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou ter sido feito um acordo para que haja pedido de vista, ou seja, mais tempo para analisar o projeto.
Dessa forma, a expectativa é que o PL 2.234 seja votado no dia 12 de junho, na próxima reunião da CCJ.
A Iniciativa tem parecer favorável do relator, o senador Irajá Silvestre (PSD-TO), que vê o potencial arrecadatório e a possibilidade de geração de empregos em um mercado regulamentado como pontos positivos. Se aprovado pela CCJ, o projeto vai para o plenário do Senado.