Em sua coluna de hoje no portal UOL, a jornalista Milly Lacombe escreveu sobre o crescimento do mercado de apostas e "seu caráter imoral". "Seria preciso colocar uma linha fina depois da publicidade que diga "ninguém ganha apostando". Porque é isso: ninguém jamais ganha apostando", afirma.
Leia o texto completo abaixo:
As casas de aposta estão aí e não vão mais sair. Podemos debater seu caráter imoral dado que, ao fatiar o jogo e permitir que se aposte em coisas como número de cartões amarelos recebidos pelo time A, número de faltas cometidas pelo jogador tal etc, elas inauguram possibilidades infinitas de manipulação e, pior, acabam com a beleza do que significa amar um time. Mas quero, por hoje, deixar isso pra lá e falar de alguma coisa muito concreta: o que deve ser obrigatório comunicar em toda publicidade das casas de apostas.
Assim como "fumar faz mal à saúde" e "beba com moderação", seria preciso colocar uma linha fina depois da publicidade que diga "ninguém ganha apostando". Porque é isso: ninguém jamais ganha apostando.
Quem ganha é a banca, e essa verdade é amplamente conhecida. Você ganha hoje e tende a esquecer das centenas de vezes que perdeu antes de hoje. E todo mundo já viu um desses filmes que se passam em Las Vegas em que alguém começa a ganhar para além do permitido pelas leis obscuras e secretas dos cassinos e os capangas do proprietário partem para cima da pessoa.
Seria ainda melhor dizer: "Ninguém ganha apostando, e a repetição pode causar vício".
O que se diz hoje depois de uma propaganda de casas de aposta é alguma coisa do tipo "aposte com moderação", frase que não comunica absolutamente nada quando o assunto é apostas.
Apostar é uma brincadeira e o ato precisa ser colocado na chave da diversão para que diminuamos a chance de virar doença e destruir famílias. As histórias de pessoas viciadas que acabaram com suas vidas são conhecidas.
A regulamentação é o único caminho para que, enquanto sociedade, consigamos nos proteger do que a popularização das apostas pode causar de ruim. Manter a movimentação desses bilhões de reais anuais no Brasil, taxar pesadamente esse volume assombroso de dinheiro, reinvestir quase tudo no social e em peças publicitárias que alertem para os riscos de apostar. E repetir exaustivamente: ninguém ganha apostando.
Aqui um texto que esmiuça as apostas em números. O resumo está abaixo: