ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ALAN BURAK

SAGSE: "A expansão on-line abriu caminho para novos participantes e aumentou a concorrência na América Latina"

03-08-2023
Tempo de leitura 8:13 min

Em uma recente entrevista exclusiva com a Yogonet, Alan Burak, vice-presidente da Monografie e organizador da SAGSE, analisou a situação do setor na América Latina, seu futuro a médio prazo e destacou o crescimento das operações de jogos on-line como um motor para a revitalização do setor em toda a região.

Os organizadores de eventos ocupam um lugar de destaque quando se trata de analisar o setor, pois estão em contato próximo e frequente tanto com as operadoras de jogos quanto com os órgãos reguladores e fabricantes ou fornecedores, nacionais e internacionais. Levando em conta esse conhecimento, como você vê a situação atual do setor de jogos na Argentina, em particular, e na América Latina, em geral? Que mudanças fundamentais você pode destacar?

Hoje, com base em 32 anos de experiência na região, podemos destacar que muitos países latino-americanos (incluindo a Argentina) estão revisando e atualizando suas legislações de jogos e apostas. Por esse motivo, eventos como a SAGSE são sempre valiosos, pois multiplicam as oportunidades de conversar com os principais participantes do setor.

É um setor em que vivemos com constante evolução, e nele são geradas oportunidades. Em alguns casos, até mesmo o resultado dessas trocas e discussões se transformam em novas regulamentações e leis que afetam o setor. E para destacar aspectos relevantes desse momento na América Latina, vale lembrar que o mercado de jogos on-line vem crescendo em vários países da região.

O aumento da penetração da Internet, a pandemia e a maior acessibilidade a dispositivos móveis levaram a um aumento nas atividades de jogos de azar e jogos on-line.

Além disso, o setor na América Latina sempre atraiu investimentos estrangeiros significativos, com operadores e fornecedores internacionais interessados em se expandir. A região sempre foi uma das mais atraentes e tentadoras, e a expansão on-line abriu caminho para a entrada de novos jogadores e aumentou a concorrência no mercado.

Mas, apesar do crescimento, o setor de jogos de azar ainda enfrenta desafios regulatórios e de conformidade. Alguns países têm sido mais restritivos em relação às atividades de jogos de azar, enquanto outros têm procurado equilibrar o crescimento econômico e as preocupações com o jogo responsável.

E, por fim, há o impacto da pandemia e pós-pandemia. Nós esquecemos, mas a COVID-19 teve um impacto significativo no setor, pois muitos cassinos e estabelecimentos de jogos de azar tiveram que fechar temporariamente devido às restrições impostas para controlar a disseminação do vírus. Isso levou a mudanças na forma como as empresas são operadas e acelerou a adoção de plataformas de jogos on-line.

Como o cenário dos jogos de azar mudou na América Latina, considerando o progresso na regulamentação on-line em várias jurisdições, como Colômbia ou Argentina, e a iminente abertura das apostas esportivas no Brasil e no Chile, ou sua regulamentação no Peru, entre outros mercados?

Vários países da região, como Panamá, Argentina e Peru, fizeram progressos na regulamentação dos jogos de azar on-line e das apostas esportivas nos últimos anos.

A regulamentação tem sido uma questão importante na agenda política, permitindo a criação de estruturas legais claras para operadores e jogadores, e aumentando a segurança e a transparência no setor.

Os mercados com maior potencial, como Brasil, México, Argentina, Colômbia, Venezuela, Chile e Peru, são identificados como atraentes para o desenvolvimento de negócios e novos investimentos.

O Brasil, em particular, é o mercado número um da região e é objeto de atenção especial de investidores internacionais e regionais, empresas operacionais e fornecedores.

Especificamente no caso do Brasil, o presidente Lula da Silva assinou um projeto de lei e uma medida provisória (MP) para regulamentar as apostas esportivas.

A MP estabelece novas regras e entra em vigor após sua publicação, embora o Congresso Nacional tenha 120 dias para analisá-la.

O fato gerou grande repercussão e colocou os holofotes sobre a região. O projeto de lei trata de processos administrativos e sancionatórios relacionados a apostas esportivas e, para entrar em vigor, deve passar pelo processo legislativo desde o início.

Acreditamos que a regulamentação permitirá que as empresas operadoras solicitem uma licença do governo, que, na prática, concederá uma licença para operar no Brasil por um período de tempo definido. O valor da licença (outorga) será definido em outro regulamento pelo Executivo; estima-se que cada empresa pagará cerca de R$ 30 milhões (US$ 6 milhões) para operar por cinco anos.

Espera-se que a regulamentação gere mais receita para os cofres públicos este ano, e a autorização mencionada permitirá a implementação de casas de jogos, a promoção de publicidade e o pagamento regular de impostos.

18% do GGR é um número alto, que não é bem visto pelo setor, o que torna essa oportunidade um caso a ser analisado em detalhes. Uma vez obtidas as receitas da operação de jogos a 18%, as empresas também devem pagar os prêmios ao apostador, após a dedução dos impostos federais e locais, e então os recursos líquidos seriam distribuídos entre o Fundo de Segurança Pública, o Fundo de Educação, o Ministério dos Esportes, os clubes e as operadoras, entre outros.

Espera-se que a regulamentação resulte em uma receita entre R$ 6 bilhões e R$ 12 bilhões. E é importante observar que a regulamentação se aplica especificamente a apostas esportivas e não a jogos de azar, como bingos e cassinos, pois esses têm definições diferentes e não estão incluídos nessa medida provisória.

Como a transformação digital desempenha um papel na região em todo esse processo de crescimento dos jogos de azar?

A transformação digital é um fator fundamental para o crescimento e a penetração dos jogos de azar on-line. Vemos um aumento na inclusão financeira, bem como no uso de métodos de pagamento digital, criptomoedas e uso de carteiras digitais.

Uma nova geração de consumidores digitais, com idade entre 18 e 22 anos, surgiu e mostra um hábito de consumo e de jogos de azar focado principalmente no canal digital.

Nesse sentido, espera-se que as vendas do setor se concentrem cada vez mais no canal on-line, com 85% das vendas, deixando os 15% restantes para o canal presencial. Isso está de acordo com a crescente adoção da tecnologia e a mudança no comportamento do consumidor em direção a experiências de jogos on-line mais convenientes e acessíveis.

Ao dizer isso, é importante observar que o setor de jogos também está prestando mais atenção ao jogo responsável e à prevenção de problemas com o jogo. Alguns países, como a Colômbia e o Peru, estabeleceram políticas para destinar parte das receitas geradas pelos jogos de azar a programas de saúde mental. A importância de abordar essa questão para proteger os jogadores e promover práticas responsáveis no setor é reconhecida.

É importante ter em mente que a situação do setor na América Latina ainda está evoluindo, e essas análises e projeções podem mudar com o tempo. Cada país tem seus próprios desafios e particularidades em termos de regulamentação e desenvolvimento do setor. Portanto, é essencial manter-se atualizado com informações confiáveis para entender a situação mais recente da região.

Em sua opinião, quais são os principais desafios que a Argentina enfrenta em termos de jogos de azar, tanto em apostas esportivas e jogos de azar on-line quanto em cassinos tradicionais e loterias, e qual é o papel dos órgãos reguladores provinciais nesse sentido?

Os principais desafios dos jogos de azar, tanto nos jogos de azar on-line quanto nos cassinos e loterias tradicionais, têm vários pontos em comum.

O primeiro é a necessidade de uma regulamentação uniforme e consistente em todo o país. Atualmente, a regulamentação dos jogos de azar varia significativamente entre as províncias, o que pode gerar confusão e desigualdade no mercado. Uma estrutura regulatória unificada permitiria maior clareza e transparência tanto para as operadoras quanto para os jogadores, bem como uma concorrência justa entre as diferentes regiões.

Além disso, ambos os mercados precisam de uma luta eficaz contra o jogo ilegal. A proliferação de jogos de azar ilegais continua sendo um desafio para as autoridades, pois não só representa uma perda de receita para o Estado, mas também levanta preocupações sobre a proteção do jogador e a falta de medidas para evitar problemas com o jogo. É fundamental implementar estratégias eficazes para combater e desencorajar o jogo ilegal em todas as suas formas.

A esse respeito, isso anda de mãos dadas com a promoção do jogo responsável. Sua promoção e a prevenção do jogo problemático devem ser uma prioridade para os órgãos reguladores e operadores. É essencial implementar políticas e programas que promovam a conscientização sobre o jogo responsável, bem como fornecer apoio e assistência àqueles que possam estar enfrentando problemas com o jogo.

Além de ser uma oportunidade, o desenvolvimento tecnológico é um novo desafio para a Argentina?

Sim. Com o aumento dos jogos de azar on-line, é importante garantir a segurança dos dados dos jogadores e protegê-los de possíveis fraudes e golpes. A incorporação de tecnologia apropriada e medidas de segurança cibernética é essencial para proporcionar uma experiência de jogo segura e confiável.

Isso anda de mãos dadas com o conceito mais amplo de transparência e controle do setor. É essencial garantir que as operadoras cumpram os regulamentos estabelecidos e que haja uma supervisão eficaz por parte dos órgãos reguladores. A transparência nas operações e a responsabilidade são fundamentais para manter a integridade do setor de jogos.

Quanto ao papel dos reguladores provinciais, eles desempenham um papel fundamental. Cada província tem seu próprio órgão regulador encarregado de licenciar, definir políticas e regulamentos e supervisionar as atividades das operadoras de jogos em seu território.

Os órgãos reguladores provinciais devem trabalhar em colaboração com as autoridades e agências nacionais para garantir uma coordenação eficaz e evitar conflitos regulatórios. Além disso, devem promover as melhores práticas em termos de regulamentação, estando atentos às novas tendências e desenvolvimentos no setor, a fim de adaptar suas abordagens e políticas de acordo.

A colaboração entre os órgãos reguladores provinciais e as partes interessadas do setor, como operadoras, associações de jogos e grupos da sociedade civil, também é essencial para se obter uma estrutura regulatória mais eficaz e enfrentar os desafios comuns do setor de jogos na Argentina.

Como você vê a estrutura de investimentos no país, em relação aos jogos?

A taxa de câmbio e as barreiras tarifárias podem ter efeitos significativos no setor de um país, o que logicamente inclui a Argentina.

Uma taxa de câmbio favorável pode incentivar o investimento estrangeiro no setor, pois as operadoras internacionais podem ver oportunidades de expandir seus negócios e aproveitar o mercado com uma moeda mais fraca, embora a questão das barreiras tarifárias possa afetar a importação de tecnologia e equipamentos.

Os custos mais altos devido às tarifas podem restringir o acesso a tecnologias avançadas e limitar a modernização dos serviços de jogos. Isso desacelera a compra de equipamentos, mas não a necessidade de equipamentos, o que pode mudar drasticamente em novembro, com um novo governo nas eleições presidenciais.

Como você planeja a SAGSE para o segundo semestre de 2023, dependendo das características do mercado argentino, e com que expectativas você já está trabalhando na edição de 2024? Veremos muitas novidades em relação ao que experimentamos este ano no Hilton Buenos Aires Hotel & Convention Center?

A primeira coisa que temos em mente é trazer o público latino de volta a Las Vegas, por meio do acordo de promoção que desenvolvemos como um evento em conjunto com a G2E. Queremos dar ao setor um lugar de preponderância, com opções VIP e experiências únicas nesta cidade, como já fizemos no passado, e ser seus anfitriões em um dos eventos mais importantes do mundo.

E quanto à SAGSE, temos grandes expectativas. A SAGSE é sinônimo de América Latina e, desta vez, nosso foco será o Brasil.

A SAGSE é uma feira internacional, provavelmente a mais internacional da região em termos de visitantes. Setenta e cinco por cento são executivos internacionais e, desses, 50% vêm do Brasil.

Isso significa que teremos muitos brasileiros nos corredores da SAGSE novamente em 2024. As expectativas para a edição do próximo ano dependerão de vários fatores, mas todos são positivos, pois a América Latina é o mercado que todo o setor está buscando.

É possível que as futuras edições da SAGSE apresentem novos desenvolvimentos e mudanças para se adaptar às demandas e necessidades do mercado, o que pode incluir a incorporação de novas tecnologias, a apresentação de produtos e serviços inovadores e a participação de novos participantes do setor, entre outros possíveis desenvolvimentos.

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