O cenário regulamentado de jogos online no Brasil entra em sua próxima fase com o setor mudando seu foco da entrada inicial no mercado para a sustentabilidade operacional a longo prazo. Após um primeiro ano fundamental de regulamentação em 2025, o mercado agora se prepara para um período de consolidação, em que a qualidade do produto e a conformidade regulatória servirão como os principais diferenciais entre as gigantes globais e os concorrentes locais.
Nesta entrevista exclusiva com o Yogonet, Andrea Di Nizo, country manager da Stake no Brasil, reflete sobre as lições aprendidas nos primeiros doze meses do marco legal e discute o preparo estratégico para a Copa do Mundo de 2026.
Di Nizo detalha a abordagem da Stake para uma localização genuína, a consolidação do mercado e por que parcerias esportivas autênticas são a chave para construir um valor de marca duradouro em um dos ambientes de apostas mais competitivos do mundo.
2025 foi o primeiro ano de operação do mercado regulamentado de apostas online no Brasil. Como você resumiria esses primeiros 12 meses? Você acha que o saldo foi positivo no geral?
2025 foi um ano de construção de bases sólidas, pois é sobre elas que tudo se sustenta. No geral, para nós, o saldo é positivo, embora também tenha trazido aprendizados.
Do ponto de vista estrutural, vimos o mercado ganhar legitimidade real: operadores sérios investindo em conformidade, apostadores migrando para plataformas licenciadas e um órgão regulador exercendo seu novo papel em tempo real.
Do ponto de vista operacional, foi um ano de intensa adaptação. Novas regras surgiram com prazos e interpretações desafiadoras, além de um volume de requisitos regulatórios que exigiram respostas rápidas e estruturadas.
Para a Stake, este também foi o ano em que confirmamos nossa tese de que um produto de qualidade gera lealdade genuína. Isso não se mede apenas em números, mas sim na confiança que os jogadores depositam na plataforma.
Quais aspectos do quadro regulatório têm funcionado bem até agora?
O que funcionou bem foi o compromisso com a formalização por meio da verificação de identidade baseada no CPF e a criação de mecanismos de rastreabilidade financeira. Isso trouxe responsabilidade ao ecossistema e começou a educar o mercado sobre o que é um ambiente verdadeiramente regulamentado.
O sistema centralizado de autoexclusão também representa um avanço estrutural significativo; ele aborda um problema que a autorregulação individual nunca conseguiu resolver.
Para 2026, quais você considera os principais desafios e oportunidades enfrentados pelas casas de apostas regulamentadas no Brasil? Você espera uma consolidação no mercado brasileiro nos próximos meses?
A maior oportunidade reside na retenção de qualidade. Com os bônus de boas-vindas deixando de ser a principal ferramenta de aquisição, o mercado naturalmente separará as operadoras que possuem um produto real daquelas que apenas ofereceram promoções. Isso favorece as plataformas que investem em experiências genuínas.
Consolidação? Sim, é inevitável e já começou. O mercado brasileiro não pode sustentar indefinidamente o número de marcas que operam hoje. Os próximos 12 a 24 meses revelarão quem construiu uma operação sustentável e quem estava simplesmente apostando no volume de marketing.
A Stake entra neste ciclo a partir de uma posição forte: uma marca global com uma operação local, que possui poder de decisão real e uma visão de longo prazo para o mercado.
Estamos a poucas semanas da maior Copa do Mundo da história. Como vocês estão se preparando, operacional e tecnologicamente, para o aumento repentino do tráfego?
A Copa do Mundo de 2026 será inteiramente digital e, pela primeira vez, o mercado brasileiro será totalmente regulamentado.
Nossa preparação começou com bastante antecedência. No que diz respeito à infraestrutura, estamos reforçando a capacidade para absorver picos de tráfego sem qualquer perda de qualidade. O operador brasileiro não tolera lentidão em momentos críticos, e nós também não.
Em termos de produto, estamos criando experiências projetadas especificamente para o torneio: mercados mais amplos, cobertura ao vivo robusta e um fluxo de navegação desenvolvido para jogadores que farão apostas intensas por várias semanas seguidas.
A Stake construiu visibilidade global por meio de patrocínios de alto nível. Qual a importância das parcerias esportivas na sua estratégia para o mercado brasileiro?
As parcerias no setor esportivo são fundamentais para a estratégia global da Stake, e no Brasil não é diferente. Patrocínio sem ativação é apenas publicidade cara.
O que nos diferencia é o trabalho que acontece depois que identificamos um alinhamento genuíno de patrocínio e o contrato é assinado: conteúdo, presença autêntica e uma conexão real entre a identidade do clube e a experiência dentro da plataforma.
O torcedor brasileiro é extremamente sensível à autenticidade; ele sabe quando uma marca está realmente presente e quando está simplesmente pagando por espaço. Em um mercado saturado de patrocínios no futebol, o valor da marca a longo prazo vem da consistência e de cumprir exatamente o que promete.
O Brasil é um dos mercados de apostas mais competitivos do mundo. Como a Stake se diferencia em um cenário repleto de marcas internacionais e locais? O reconhecimento da marca por si só é suficiente, ou o sucesso depende mais da localização do produto e da eficiência operacional?
O reconhecimento da marca abre portas. Produto e operações são o que fazem um jogador permanecer e retornar.
No Brasil, o erro clássico dos operadores internacionais é presumir que traduzir o produto já constitui localização; não constitui. Localização de verdade significa ter uma equipe local com poder de decisão real sobre o produto, a comunicação e as prioridades.
Significa entender que o player brasileiro tem uma relação específica com o entretenimento: social, visual e emocional, e que um lobby construído para esse mercado não é o mesmo que um lobby internacional com moeda brasileira.
Como será o sucesso da Stake no Brasil até o final de 2026, em termos de posicionamento da marca e expansão da participação de mercado?
Para a Stake, o sucesso no Brasil em 2026 tem duas dimensões.
O primeiro ponto é o posicionamento: ser reconhecido não apenas como um dos maiores cassinos online e casas de apostas esportivas do mundo, mas como a marca de referência em confiança operacional. O jogador que escolhe a Stake quer ter a certeza de que seu saque será processado, que será tratado com respeito e que não haverá surpresas nas letras miúdas. Essa reputação não se compra; ela é construída transação a transação.
O segundo ponto é a sustentabilidade: crescer com uma operação saudável, uma base de jogadores verdadeiramente leal e uma estrutura de conformidade que trata a regulamentação não como um obstáculo, mas como parte integrante do modelo de negócios. Um mercado maduro é bom para todos, inclusive para a Stake.