Durante o BiS SiGMA South America, o Yogonet conversou com exclusividade com Felipe Maia, SEO Manager da Blaze. Em meio a um setor que ainda enfrenta resistência na opinião pública, ele destacou a importância de amadurecer o debate e ampliar o nível de informação disponível para os usuários.
Um dos pontos centrais da entrevista foi o papel do jogo responsável dentro da estratégia da marca. Para Maia, o tema passa por um esforço contínuo de educação do apostador, com iniciativas que ajudem o usuário a entender melhor os riscos, o funcionamento dos jogos e a importância de mostrar que as apostas não são uma fonte de renda.
"Nós não queremos pensar só na conversão; queremos pensar na educação como um todo, porque é crucial que as pessoas entendam o que está em jogo", diz Maia. Ele defende que é necessário reter o "usuário de uma maneira que vá ser boa, para que ele não se complique jogando".
Em uma entrevista anterior ao Yogonet, em 2025, você falou que jogo responsável não é só colocar a frase “jogue com responsabilidade” nos materiais, mas, também fazer um trabalho de educação do apostador. Você pode falar como a Blaze tem colocado o jogo responsável em prática?
Primeiramente, temos uma parceria muito interessante com a Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), referência em suporte a quem tem problemas com jogo. Nós encaminhamos para eles os jogadores que estão com dificuldade, e eles fazem o acolhimento. Admiro demais o trabalho de toda a equipe.
Temos também nossa linha de conteúdos informativos para os usuários, publicando guias que explicam como os jogos e as competições funcionam, as regras e dicas de como a pessoa pode se planejar para apostar.
É o que conversamos há um ano: jogo responsável é você empoderar a pessoa com conhecimento. Precisamos fazer com que o debate sobre o setor de apostas seja mais maduro, porque vejo que ele ainda está muito superficial na sociedade.
Pegando um gancho no que você falou sobre debate superficial, a impressão é que ainda falta informação para as pessoas. Muita gente ainda confunde o mercado ilegal com o mercado legal ou as bets com os mercados de previsão. O que você acha que as empresas podem fazer para começar a mudar a visão que as pessoas têm do setor?
O primeiro passo é fazer a diferenciação, de maneira clara, do que é uma plataforma legal e uma plataforma ilegal, porque o brasileiro ainda não sabe identificar. Precisamos de iniciativas mais efetivas para mostrar que as plataformas legalizadas seguem os critérios regulatórios, pagam impostos, geram empregos, estão investindo em pessoas e fazendo de tudo para trazer um retorno à sociedade brasileira.
Queremos que o jogador se divirta, que veja as apostas como entretenimento e que esteja bem para jogar. Isso é prioritário para nós.
É algo delicado porque as pessoas ainda não entendem tanto do assunto. Ninguém fala abertamente sobre RTP [return to player], por exemplo. Isso é uma questão que temos que explicar como funciona, porque as pessoas ainda têm aquela visão equivocada de que aposta é para ganhar dinheiro, mas não é assim.

Vocês têm várias iniciativas na parte de marketing. O Neymar é embaixador da Blaze e a marca patrocina também o Atlético Goianiense. Você pode falar mais sobre a comunicação da empresa?
Além do Neymar, a gente também tem a Virginia como uma das principais influencers no nosso catálogo de parceiros. Nós não queremos pensar só na conversão; queremos pensar na educação como um todo, porque é crucial que as pessoas entendam o que está em jogo.
Não é só pensar tipo “vou começar a jogar aqui porque o Neymar falou da Blaze”. Tem que ser um processo de 360 graus. Sempre digo que é importante a gente ter um FTD [first-time deposits], mas também precisamos nos certificar de que não vai ser o único depósito.
Então, temos que reter esse usuário de uma maneira que vá ser boa, de uma forma que ele não se complique jogando.
Faltam cerca de dois meses para a Copa do Mundo. O Mundial deste ano vai ser simbólico porque terá 48 seleções, o maior número da história. Além disso, é a primeira Copa com o mercado regulado de apostas online no Brasil. Como está a sua expectativa para o torneio?
Queremos muito aproveitar esse evento para mostrar que a pessoa pode se divertir apostando de uma maneira saudável. É o maior evento do planeta e queremos atrair as pessoas para apostarem não só na Copa, mas também no catálogo de cassino, aproveitando o clima de futebol. Temos, por exemplo, o jogo do Ronaldinho Gaúcho, da Booming Games, e o jogo do Neymar. Buscamos oferecer experiências inovadoras, divertidas e responsáveis.
Além disso, a Blaze entende que esporte não é só futebol. Temos que falar sobre várias modalidades para ver o que faz sentido para o nosso público. O esporte é uma das coisas mais amplas que existem na sociedade.
Caso queira acrescentar algo que não foi perguntado, fique à vontade.
É importante ter em mente que, na regulamentação, conseguir a licença não é a linha de chegada. É uma maratona: vamos continuar correndo e lutando por um mercado regulado, saudável e responsável. Estamos investindo bastante em compliance, na segurança e na experiência do usuário como um todo.
A licença foi uma grande conquista para a Blaze e para todas as empresas que a conseguiram, mas temos que fazer um processo de melhoria contínua para atender nossos jogadores bem e garantir a integridade e a responsabilidade. Estamos muito empolgados com essa nova fase do mercado e com tudo de positivo que podemos gerar no Brasil.