O crescimento acelerado dos esports no Brasil e os obstáculos para sustentar essa expansão a longo prazo foram debatidos no painel “Esports: entre a paixão dos fãs e os interesses do mercado”, durante o BiS SiGMA South America 2026, realizado em São Paulo entre os dias 6 e 9 de abril.
A discussão foi moderada por Maurício Lima, da Oddin.gg, e reuniu Rafael Rebelo, da H2 Bet; Stefano Bertagnoni, COO da LOUD Esports; e Marcio Zuba, diretor de Esports do Ministério do Esporte. Os participantes apresentaram visões complementares sobre operações, integridade, gestão e políticas públicas.
Um dos principais pontos abordados foi o perfil do público de esports no país, considerado altamente engajado e digital. Diferentemente dos esportes tradicionais, os fãs participam ativamente do ecossistema, que envolve transmissões ao vivo, redes sociais, influenciadores e economias digitais dentro dos jogos.
Segundo projeções da consultoria PwC Brasil, o país está a caminho de atingir a receita recorde até 2026 e atingir cerca de US$ 2,8 bilhões, impulsionado por novas tecnologias, pela popularização dos esports e pela entrada de um público cada vez mais diversificado. Há mais de 100 milhões de jogadores em todo o país, segundo dados consolidados pela Pesquisa Game Brasil (PGB).
A integridade e a responsabilidade também estiveram no centro do debate durante o BiS SiGMA. Com o avanço das apostas e da monetização, cresce a necessidade de mecanismos de compliance para proteger usuários, especialmente menores de idade, e garantir competições justas. Por outro lado, a natureza digital dos esports permite maior rastreabilidade e transparência.
Representando o setor público, Zuba destacou a importância de estruturar a indústria no longo prazo, com iniciativas voltadas ao mapeamento do ecossistema, ampliação do conhecimento institucional e promoção da inclusão. A acessibilidade, no entanto, ainda é um desafio devido à dependência de tecnologia e conectividade.
Apesar do crescimento, os especialistas ressaltaram que o futuro dos esports no Brasil dependerá do equilíbrio entre expansão comercial e preservação da autenticidade das comunidades. O consenso é que o país tem potencial para se tornar uma potência global, desde que haja coordenação entre empresas, governo e sociedade, além de investimentos contínuos e estratégias responsáveis.