EVENTO EM SÃO PAULO

Alessandro Valente: "BiS SiGMA South America é um dos melhores palcos para o diálogo entre indústria e governo"

Alessandro Valente e Carlos Cardama, BIS SiGMA 2026.
09-04-2026
Tempo de leitura 3:28 min

No segundo dia do BiS SiGMA South America, em São Paulo (SP), o Yogonet conversou com Alessandro Valente, cofundador do evento. Na entrevista, ele destacou o papel do encontro como uma ponte entre a indústria e o governo, reforçando a importância do diálogo para o desenvolvimento do setor no Brasil.

Durante a conversa, Valente revelou planos para a produção de um documentário sobre a história do jogo e a realização de um novo evento no Nordeste. O executivo expôs também sua opinião sobre como os prediction markets devem ser regulados, tema que vem ganhando espaço nas discussões do setor.

Como você avalia esse primeiro dia de BiS SiGMA South America e o andamento do segundo? Atendeu às expectativas em termos de público e presença de expositores?

Tivemos aqui um dos melhores palcos para um diálogo saudável entre a indústria e o governo. Esse diálogo pode gerar um fruto positivo para a sociedade, que é o retorno dado pela indústria de forma clara e objetiva, não só por meio de impostos, mas também com mais patrocínios para eventos culturais, para a arte e, principalmente, para o esporte. Um evento como esse acaba refletindo diretamente na sociedade.

O Brasil ainda não aprovou o projeto de lei que legaliza os cassinos físicos. Se essa aprovação vier, o evento vai ganhar uma nova escala ou o foco seguirá no jogo online?

Se isso ocorrer nos próximos meses, teremos muito mais demanda por espaço. Porém, é uma tendência mundial que o digital domine cada vez mais a cena.

Não que o jogo físico deixe de existir, mas ele acaba perdendo um pouco de espaço para o digital. 

Acho que haverá um equilíbrio, talvez com uma proporção maior para o mercado digital em número de empresas e negócios. Por outro lado, o jogo físico demanda espaços maiores, ou seja, precisaríamos de todo o Transamerica [sede do evento] para comportar essa indústria.

Estamos em um ano eleitoral, e o setor sofre críticas tanto da direita quanto da esquerda. Você acha que o tema das apostas vai aparecer nos debates eleitorais? O setor precisa se preparar para enfrentar uma nova enxurrada de críticas?

Hoje [8 de abril] tivemos a fala do presidente Lula sobre a intenção de acabar com as apostas no Brasil. Ele não tem base estatística e informação correta, e, infelizmente, teve essa fala. 

Isso é muito perigoso. Se o jogo deixa de ser legal, ou se são criadas regras que impedem a indústria de florescer, ele continuará existindo, mas na clandestinidade, o que é muito ruim para o setor e pior ainda para a sociedade.

Nos sites clandestinos, não existe controle, não existe moderação e há [apostas de] menores de idade e beneficiários de programas sociais. É onde ocorre o estelionato digital. 

O que o governo precisa fazer é combater o jogo pirata, a clandestinidade, porque é ali que estão os problemas, as mazelas.

No ano passado, tivemos mais de 25 mil sites bloqueados. Foi como enxugar gelo seco, pois nem resíduo deixou. Ou seja, quando você usa o termo “enxugar gelo”, há um resíduo, a água. Aqui, a gente está falando de enxugar gelo seco: nem resíduo ficou. Essas operações clandestinas estão sediadas no exterior, então os recursos já saem do país ou viram criptomoedas, o que impede a apreensão.

O jogo clandestino deve ser combatido em todas as frentes. Claro que o bloqueio dos sites deve continuar, mas precisamos também de ações em cima do destino dos recursos, com apoio de órgãos como Coaf e Banco Central, e punir os bancos que são coniventes com o crime organizado.

Qual é a sua visão sobre os mercados de previsão (prediction markets)? Eles devem ser regulados como jogos ou deveriam ser regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)?

Eu ainda preciso estudar mais esse mercado, mas meu entendimento é que eles estão em um formato híbrido.

Se eu estivesse à frente da legislação, faria um modelo híbrido, em que temos, por exemplo CVM e a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) olhando juntas para esse mercado, da mesma forma que já temos SPA e Ministério do Esporte responsáveis pelas bets.

Entendo que os prediction markets são um mercado apartado, afinal lá há diversos outros eventos, não só esportivos, o que foge do escopo atual do Ministério do Esporte. Eu faria um trabalho conjunto entre CVM e SPA.

Em 2025, vocês realizaram o BiS Brasília. Haverá uma nova edição neste ano? 

Temos a convicção de que o BiS Brasília foi muito bom e queremos repetir a dose neste ano. 

E digo mais: queremos também uma edição no Nordeste. Estamos só definindo em qual capital. Muito provavelmente será em João Pessoa (PB).

Gostaria de acrescentar algo que não foi perguntado?

Sim. Graças a veículos como o Yogonet, podemos levar conhecimento para além dos portões do evento. O evento atinge quem está aqui dentro. Sem empresas como vocês, como que a informação chegaria lá fora, principalmente aos países ao redor? Então, eu agradeço e quero dizer que é importantíssimo.

Além disso, já dando um spoiler: planejamos fazer, neste ano, um documentário de longa-metragem contando a história do jogo desde os primórdios até os dias de hoje, com foco no mercado brasileiro e latino-americano

 

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