Especializada no desenvolvimento de plataformas de iGaming, a InPlaySoft esteve presente no SBC Summit Rio 2026, realizado no começo de março, no Riocentro.
Em entrevista exclusiva ao Yogonet, o diretor de desenvolvimento de negócios da empresa, Gustavo Salvador, afirmou que o mercado regulado de apostas e jogos online no Brasil tem sido mais positivo do que se imaginava.
Ele, no entanto, vê muito espaço para crescimento e, quando questionado sobre os mercados de previsão (prediction markets), avalia que a regulamentação dessas plataformas será a próxima discussão no país.
Pouco antes do SBC Summit Rio, você escreveu no LinkedIn que “o mercado brasileiro não é mais o futuro, é o presente”. O que você quis dizer com essa frase e como você avalia o momento atual do setor de apostas no Brasil?
Quando eu fiz o trocadilho, a principal intenção era explicar a diferença entre o que era projetado e o que a gente colheu como resultado. Antes da regulamentação, ficava muito na teoria de como seria.
Apesar de eu defender que a gente ainda tem muito mercado para explorar, o que a gente já explorou até agora foi mais positivo do que a gente imaginava.
Nos primeiros três, quatro meses todo mundo estava sofrendo. Depois, a coisa começou a mudar e a gente começou a se aproximar do comportamento de jogador europeu, com um LTV [lifetime value] maior e um jogador que joga de maneira mais consciente, mais por diversão do que por uma promessa falsa de dinheiro. Ele joga por mais tempo, e aí é onde faz a diferença.
O Brasil estava acostumado a uma coisa muito baseada em aquisição e muito pouco em retenção. Ainda existe muito espaço para crescer, tanto em market share quanto em maturidade do mercado, mas não estamos mais falando sobre futuro, e, sim, sobre presente.
Em três meses, será realizada a Copa do Mundo. Como você avalia essa oportunidade para o mercado brasileiro?
Esses eventos maiores são muito bons, tanto na operação direta, no dia a dia, quanto na importância dele como um todo. Mas, para mim, a parte mais importante é a questão da parte da instrução, digamos assim, da doutrinação de novos usuários.
Quando você tem um país que não tem cassinos físicos liberados, você cria uma barreira de entrada, principalmente por causa da idade. Então, as pessoas mais velhas vão ter mais dificuldade de jogar online. Um evento grande desses ajuda na penetração do mercado. Você começa a ter uma mudança de público na faixa etária, a ter pessoas mais velhas conhecendo o mundo de apostas e consegue consolidar o mercado.
Além da questão do idioma, existe muita diferença entre lançar uma plataforma para o mercado brasileiro e para o mercado do Reino Unido, por exemplo?
Levando em consideração o que construímos, desenhamos uma plataforma adaptável com facilidade para qualquer mercado. Apesar do foco da empresa ser Brasil e, eventualmente Latam, a gente consegue fazer um arranjo técnico fácil de adaptação. Nossa plataforma é toda customizável pelo back office.
Do ponto de vista de tecnologia, conseguimos adaptar. Do ponto de vista de comportamento de usuário, aí sim eu acho que é um pouco diferente.
O jogador europeu joga 18 ou 20 meses, em média, enquanto no Brasil é dois ou três, em média. Isso muda muita coisa. Se você tem jogador jogando por 20 meses, você consegue pensar em estratégias muito mais eficientes e de longo prazo.
Você está acompanhando nos Estados Unidos a discussão em torno dos prediction markets, os mercados de previsão? Você acha que isso chegará ao Brasil?
Acho que já chegou. O que a gente consegue reparar no mercado de bets é que tem uma penetração, no Brasil, ligada a quem começou no pôquer lá atrás. A galera do pôquer migrou para as apostas online e sinto que esse movimento vai começar a acontecer também: vão expandir o negócio na direção do prediction market.
A gente tem algumas plataformas no Brasil que estão crescendo de uma maneira bem estrondosa, digamos assim. Acho que a próxima discussão vai ser a regulamentação desse mercado no Brasil.
Então, você imagina o apostador da bet migrando para o prediction market?
Se for bem construída a regulamentação, vejo essa migração até dentro da própria operação. Ele vai migrar internamente. E, claro, a gente precisa de um órgão regulamentador que entenda esse comportamento e traga uma facilidade de juntar as duas coisas.
Se eu fosse dar um exemplo negativo, a gente tem a questão da capitalização, por exemplo, que é uma regulamentação completamente diferente e apartada. Se ela tivesse sido pensada em conjunto, talvez os operadores estivessem explorando um pouco mais. Existiria ali uma operação de capitalização e de bet no mesmo ambiente. Hoje não é possível ter isso. Há empresas que têm os dois, mas operam de maneira separada.

Quais os próximos eventos que a empresa pretende participar?
Esse SBC está marcando exatamente um ano da criação da empresa, vamos dizer assim, o primeiro evento oficial que viemos. Fechamos o nosso primeiro cliente há um ano e estamos indo agora para 17 operações, sendo principalmente no Brasil, 90% no Brasil.
A ideia é continuar aumentando a nossa presença nos outros eventos. Temos agora o BiS SiGMA. A gente também já está confirmado no iGB, na Inglaterra, em junho, e SBC em Lisboa também. São os clássicos que já estamos garantidos, e aí a gente começa a expandir.