A head de compliance do Grupo Esportes Gaming Brasil, Carolina Luna, afirmou que compliance deve ser visto como um aliado estratégico para o desenvolvimento do setor de apostas, e não como um mecanismo de bloqueio às operações. A declaração foi feita durante o SBC Summit Rio, no painel “Controles para o Próximo Nível de Envolvimento do Jogador”.
Durante o debate, a executiva destacou que segurança do usuário, governança sólida e uso de tecnologia avançada são elementos essenciais para a sustentabilidade do mercado de apostas no Brasil. Segundo Luna, a construção de um ambiente confiável depende de uma arquitetura tecnológica capaz de equilibrar conformidade regulatória e experiência do usuário.
A executiva ressaltou que o setor vive um momento de transformação, em que o monitoramento contínuo deixou de ser visto como mera burocracia para se tornar uma garantia de integridade e confiança nas plataformas. Nesse cenário, soluções baseadas em inteligência artificial (IA) vêm sendo implementadas para identificar preventivamente comportamentos atípicos e reforçar a conformidade regulatória.
“Asseguramos que o foco permaneça na experiência de entretenimento do cliente, sem interrupções desnecessárias, mas com vigilância constante sobre a conformidade regulatória”, afirmou Luna.
Outro ponto destacado pela executiva foi o papel do jogo responsável como pilar estratégico para a sustentabilidade do setor. De acordo com ela, dados da própria plataforma indicam que o comportamento compulsivo atinge apenas uma pequena parcela da base ativa de usuários.
Para lidar com esses casos, o mercado tem ampliado estruturas de suporte especializado e parcerias com entidades de apoio, com o objetivo de oferecer orientação adequada aos apostadores e reduzir estigmas associados à atividade. A proposta, segundo Luna, é reforçar a percepção das apostas como uma forma de entretenimento segura e auditável.
Além disso, a executiva destacou que a previsibilidade regulatória e a educação da opinião pública são fatores-chave para garantir a continuidade de investimentos e a geração de empregos no país. A transição para um mercado regulamentado e estruturado também amplia a proteção ao consumidor, ao oferecer maior transparência e mecanismos de segurança para os apostadores.
Ao final do painel, Luna reforçou que a área de compliance desempenha um papel estratégico para o crescimento do setor.
“Compliance não é bloqueio, é parceria para o crescimento. É um grande desafio crescer nesse segmento de forma auditável, com arquitetura que fortaleça não só um operador, mas todo o segmento”, concluiu.