ENTREVISTA COM O CBO DA ESTRELABET

Fellipe Fraga: “Brasil precisa de um combate real ao jogo ilegal para conseguir maior arrecadação e controle”

Fellipe Fraga, CBO da EstrelaBet
28-01-2026
Tempo de leitura 3:10 min

Durante a ICE Barcelona 2026, evento realizado entre 19 e 21 de janeiro na Espanha, o Yogonet conversou com Fellipe Fraga, diretor de negócios (CBO) e responsável por relações institucionais (IR) da EstrelaBet, que participou como palestrante em uma das conferências do encontro.

Na entrevista, o executivo analisa o cenário do mercado brasileiro de jogos diante de um ano eleitoral, os desafios regulatórios ainda pendentes, o papel da opinião pública e o impacto potencial dos cassinos físicos no país.

Estamos diante de um ano importante para o mercado de jogos no Brasil, sobretudo pelo clima político e pelas eleições, que acontecerão no mês de outubro. Como você acredita que serão os próximos meses, considerando as regulações pendentes e as dificuldades que um ano eleitoral impõe ao processo legislativo?

Acredito que seja um ano de maior preocupação para o setor, justamente por causa do processo eleitoral, com eleições gerais no Brasil no radar. E, em especial, porque a nossa indústria sofre muita pressão de ambos os lados, tanto de políticos da esquerda quanto da direita.

No Brasil, recebemos pressão constantemente. Temos visto, nas decisões políticas, nos debates no Congresso e nas diferentes posições dos parlamentares, argumentos que estão muito distantes da realidade. Por isso, será fundamental dar continuidade ao trabalho de educação e esclarecimento sobre o funcionamento da indústria, os benefícios que ela gera e a necessidade de o Brasil realizar um combate efetivo ao jogo ilegal.

Com isso, naturalmente, teremos mais impostos arrecadados, maior fiscalização e mais atenção ao jogo responsável.

O que deve acontecer no Brasil, além do fator político e de toda a discussão sobre a sustentabilidade da indústria, é o surgimento de uma necessidade ainda mais clara de evolução tecnológica por parte das empresas. Trata-se de um mercado que avança diariamente, sempre buscando melhorias, seja por meio de produtos mais eficientes, plataformas mais rápidas ou melhores experiências ao usuário.

Pensando nas condições de estabilidade do mercado, acredito que veremos uma redução — e não mais crescimento — no número de operadores licenciados.

Levando em conta o cenário político e o fato de ser um ano de renovação eleitoral, isso tende a dificultar a possibilidade de aprovação dos cassinos em resorts ou de outros cassinos físicos no território brasileiro.

No Brasil, o clima político em relação ao jogo é extremamente reativo. Há pessoas que se apropriam de um tema específico e o transformam em eixo central do debate, mantendo a indústria constantemente no centro das discussões. Precisamos ter muito cuidado com esse fator diante da opinião pública, para não nos tornarmos reféns de manobras que prejudiquem o setor.

A chegada dos cassinos físicos é uma decisão importante para nós como empresa — não de forma direta, já que não pretendemos operar cassinos físicos. Essas operações ficarão a cargo de outras companhias, responsáveis por explorar essas verticais.

No entanto, a abertura dos cassinos representa um importante avanço cultural, que pode ajudar enormemente o país.

O turismo que essa proposta pode atrair é relevante, assim como a arrecadação gerada por mais pessoas conhecendo as belezas naturais do Brasil, fatores que precisam ser compreendidos e aproveitados.

Nós, que fazemos parte da indústria, sabemos que os cassinos existem para pessoas que buscam momentos de entretenimento. Os cassinos físicos impulsionam o turismo e levam visitantes a conhecer mais o Brasil.

Hoje, por exemplo, muitos brasileiros deixam o país para jogar no Uruguai, optando por passar um dia de lazer fora, em vez de visitar uma cidade brasileira.

Você entende que o conjunto de operadores e profissionais da indústria tem a intenção de trabalhar junto à opinião pública, buscando divulgar esse tipo de benefício? Um dos grandes problemas do Brasil é que a opinião pública sofre forte influência de setores contrários ao jogo. Haverá um esforço maior neste ano eleitoral para evitar que o jogo seja usado como um “vilão” político?

Sim. Esse é um trabalho que comecei pessoalmente no ano passado. Fiz viagens a Brasília e mantive uma agenda de reuniões com profissionais da imprensa e dos veículos tradicionais.

O que percebi é que muitos não conhecem o tema em profundidade e, em alguns casos, apenas reproduzem discursos feitos no Congresso Nacional, sustentando polêmicas que muitas vezes estão muito distantes da verdade.

Por isso, iniciamos um trabalho de explicação dos detalhes da indústria, abordando conceitos básicos e os benefícios de um mercado regulado.

Quando se afirma que os números são gigantescos e se analisam apenas os depósitos, não se leva em conta que os saques e os prêmios pagos também são milionários, assim como os impostos recolhidos ao Estado.

Dessa forma, a margem de lucro não é como muitos imaginam. Esses são pontos que precisam ser esclarecidos para que a imprensa tradicional possa divulgar a realidade do setor em 2026.

A ideia é contribuir para que o Brasil tenha uma indústria saudável, sustentável e transparente.

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