À medida que o mercado de jogos online da América Latina passa de uma rápida expansão para uma fase mais competitiva e regulada, os fornecedores são obrigados a repensar como apoiar os operadores de toda a região.
Questões relacionadas à profundidade de mercado, sustentabilidade comercial, relevância de conteúdo e parcerias de longo prazo vêm moldando cada vez mais o setor, especialmente à medida que o marco regulatório do Brasil toma forma e a atenção se estende a outras jurisdições emergentes.
Karina Moral, diretora sênior de desenvolvimento de negócios da Zenith, falou em entrevista compartilhada com o Yogonet sobre as prioridades em mudança da empresa na América Latina, os mercados que demonstram maior dinamismo além do Brasil e o que a companhia pretende alcançar comercial e estrategicamente em 2026.
Quais são as principais prioridades da Zenith na América Latina e como elas mudaram em relação a esta mesma época do ano passado?
Nosso foco na América Latina mudou claramente da entrada no mercado para a profundidade de mercado. Ao longo de 2025, grande parte da nossa atenção esteve voltada para a preparação regulatória, obtenção de certificações e integração de conteúdos reconhecidos, especialmente para apoiar operadores que entravam no Brasil. Agora que essas bases já foram estabelecidas, começamos a ver os primeiros resultados.
Olhando para o futuro, a ênfase está firmemente em reforçar a competitividade comercial dos nossos parceiros. Isso significa oferecer preços mais competitivos, portfólios mais amplos e relevantes e, o mais importante, avançar cada vez mais para estratégias de conteúdo curado, em vez de uma agregação baseada apenas em volume.
Ao mesmo tempo, estamos investindo fortemente no desenvolvimento de longo prazo do negócio. Isso inclui ampliar a oferta de conteúdos selecionados por meio do OneAPI e do GamesAPI com base na demanda real da região, e não em suposições, além de aprofundar parcerias com operadores que estão construindo negócios sustentáveis na América Latina.
O objetivo para 2026 é ser um parceiro de infraestrutura de longo prazo para a região, e não apenas mais uma porta de entrada para conteúdos. Já somos vistos como um dos novos parceiros mais interessantes para grandes marcas que entrarão no mercado em 2025, e pretendemos manter esse impulso.
O Brasil continua dominando o debate do setor, mas onde mais na América Latina se observa maior crescimento neste momento e o que está impulsionando esse avanço?
O Brasil continua sendo o principal mercado da América Latina, especialmente após maior clareza regulatória e avanços no licenciamento. Ele ainda atrai a maior parte da atenção do setor, e com razão.
Dito isso, também observamos forte crescimento em outros países. O México se destaca por sua base de jogadores madura e demanda constante por conteúdo mobile, enquanto o Peru se torna cada vez mais interessante à medida que o mercado continua evoluindo e o interesse dos operadores se intensifica.
Em todos esses mercados, o crescimento é impulsionado por uma maior aceitação dos jogos online licenciados, forte interesse por slots de alta qualidade e pelo fato de que os operadores buscam ativamente modelos de integração simplificados, que lhes permitam entrar em vários mercados latino-americanos de forma eficiente e sem complicações desnecessárias.
Quando os operadores se encontrarem com a Zenith na ICE Barcelona, quais capacidades da plataforma ou pontos fortes de conteúdo você mais quer mostrar ao mercado latino-americano?
Na ICE, estamos especialmente interessados em mostrar como nosso ecossistema oferece flexibilidade aos operadores sem custos operacionais adicionais. O OneAPI continua sendo fundamental para isso, atuando como uma única camada de agregação que fornece acesso a um portfólio amplo e adaptável de jogos.
Além disso, o GamesAPI desempenha um papel-chave para operadores que desejam mais controle. Ele permite selecionar títulos específicos de alta demanda a partir de um portfólio com mais de 10 mil jogos de mais de 150 estúdios de primeira linha, personalizar sua oferta sem se comprometer com uma agregação completa e ainda se beneficiar de preços comerciais competitivos por meio de uma única integração.
O conteúdo é igualmente importante. Vamos apresentar uma combinação sólida de títulos relevantes para a América Latina de estúdios globais reconhecidos, junto com os formatos narrativos e altamente localizáveis do ALIZE Studio. Tudo isso é sustentado pela nossa capacidade de apoiar prazos rápidos de lançamento no mercado sem introduzir complexidade operacional, o que continua sendo uma prioridade importante para os operadores da região.
O comportamento dos jogadores na América Latina está mudando rapidamente. Quais são as principais mudanças que você observou no último ano e como a Zenith está adaptando seu ecossistema para acompanhar esse ritmo?
Durante o último ano, o comportamento dos jogadores na América Latina continuou evoluindo em ritmo acelerado. O público está cada vez mais voltado para dispositivos móveis e atraído por ciclos de jogo mais rápidos, com mecânicas de recompensa mais claras. Ao mesmo tempo, os jogadores se tornaram mais seletivos, com expectativas mais altas em relação à qualidade, desempenho e consistência dos jogos em todos os dispositivos.
Também houve uma mudança notável em direção a temas e narrativas localizados, combinados com mecânicas familiares apresentadas por meio de visuais modernos. Repetir conceitos genéricos já não é suficiente para se destacar, especialmente nos mercados mais competitivos.
A Zenith respondeu abandonando catálogos únicos para todos os mercados. Em vez disso, selecionamos portfólios por mercado, trabalhando em estreita colaboração com estúdios e operadores para adaptar o conteúdo às preferências locais e aos dados de desempenho. Os preços e a estrutura comercial também desempenham um papel importante nesse processo.
Os operadores estão mais conscientes dos custos do que nunca, e nossa capacidade de combinar conteúdo forte com condições comerciais competitivas tornou-se parte fundamental da forma como apoiamos o crescimento sustentável. Tudo isso é sustentado pela estabilidade da plataforma e pela entrega de baixa latência, que continuam sendo essenciais, já que o mobile segue dominando o comportamento dos jogadores em toda a região.
Do ponto de vista comercial, como se define o sucesso da Zenith na ICE em termos latino-americanos?
Sob a perspectiva comercial, o sucesso na ICE tem menos a ver com volume e mais com qualidade. O evento nos dá a oportunidade de manter conversas presenciais significativas com operadores que compartilham nossa visão de longo prazo.
Na prática, nosso objetivo é estabelecer novas parcerias no Brasil e em mercados latino-americanos vizinhos, além de expandir integrações existentes com conteúdos adicionais ou melhores condições comerciais. Também buscamos colaborar com operadores que procuram parceiros de agregação e distribuição de longo prazo, e não apenas acesso pontual a conteúdos.
Em última análise, uma ICE bem-sucedida para a Zenith é aquela da qual saímos com um portfólio claro e realista de oportunidades, que se traduza em crescimento sustentável em toda a América Latina ao longo de 2026. Trata-se de definir o tom para o ano seguinte e reforçar nossa posição como um parceiro que entende tanto a realidade comercial quanto a operacional da região.