"FALÁCIAS" E "DESSERVIÇO"

Declarações de William Rogatto sobre manipulação de resultados são vistas com descrédito

William Rogatto em videoconferência (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
10-10-2024
Tempo de leitura 2:26 min

Após o bombástico depoimento do empresário William Rogatto na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado nesta terça-feira, 8 de outubro, a imprensa esportiva e profissionais do futebol diminuíram o impacto das acusações.

Rogatto afirmou de que uma suposta máfia de manipulação de resultados e esquema de apostas atua em diversos níveis no futebol brasileiro e que ele mesmo teria lucrado mais de R$ 300 milhões com a atividade ilegal.

Apesar de ser investigado por ter manipulado apenas duas partidas do clube Santa Maria no Campeonato do Distrito Federal de 2024, Rogatto disse aos senadores que já participou da corrupção de jogadores nos 26 estados da federação e no Distrito Federal, e que saberia do envolvimento de pessoas dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), das federações, de presidentes de clubes, de árbitros e de atletas no esquema.


Partida entre Gama e Santa Maria é investigada


Apesar da gravidade das acusações, Rogatto não apresentou nenhuma prova do que disse.

"Inconsistências"

Ao blog Drible de Corpo, do Correio Braziliense, o consultor de integridade do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Paulo Schmitt, afirmou que há inconsistências e generalizações exageradas nas declarações de Rogatto.

“Esses pontos de fragilidade sugerem que, sem uma investigação mais rigorosa e sem a apresentação de provas concretas, as declarações de Rogatto podem ser vistas como especulativas ou exageradas, o que enfraquece a CPI e o processo investigativo como um todo”, avalia Schmitt.

Já a Associação de Árbitros de Futebol do Brasil (Abrafut) publicou nota em suas redes condenando as acusações. A entidade afirmou que as denúncias feitas por Rogatto são “falsas e levianas” e que vai exigir que o empresário “prove na justiça” todas as acusações que fez.

"Falácia"

A crônica esportiva tampouco levou a sério a história contada pelo empresário. 

"Eu não acredito nesse cara. Para falar uma coisa grave tem que provar, é inadmissível uma pessoa fazer acusações desse tamanho sem uma prova, sem mostrar nada. Ele acusa jogadores do São Paulo, do Palmeiras também obviamente, acusa os clubes sem mostrar uma prova. É uma irresponsabilidade quem dá corda pra isso. (...) Chega com provas, porque ficar falando, acusando jogadores e clubes, sem mostrar nada, isso é falácia!", esbravejou o ex-jogador e comentarista Casagrande em live do UOL.

Já o jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho (PVC) escreveu, em sua coluna do mesmo portal, que "William Rogatto é o Pablo Marçal das apostas esportivas", em referência às calúnias e ao laudo forjado que o ex-candidato à prefeitura de São Paulo (SP) apresentou durante a campanha eleitoral. 

"Não há confirmação sobre esta sua declaração. Também não há confirmação sobre sua opinião de que houve manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2023. Há confirmação e 17 denunciados pelo Ministério Público de Goiás, o único trabalho sério feito no Brasil até este momento", escreveu PVC.

Citados por Rogatto, os clubes Palmeiras e São Paulo não irão se manifestar sobre o caso, apurou o UOL. O depoimento causou revolta na cúpula tricolor, que classificou  as acusações como um "desserviço, não como um depoimento sério".

Investigações

Membros da CPI devem ir a Portugal, onde Rogatto mora. Ele se dispôs a contar e exibir detalhes do “complexo sistema”, que inclui fotos, vídeos, negociações, gravações e conversas envolvendo a manipulação de jogos, segundo o empresário.

coluna Radar, da Veja, publicou ainda que a Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte vai enviar um ofício ao Ministério da Justiça e Segurança Pública pedindo que a Polícia Federal (PF) investigue as alegações de Rogatto à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado. 

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