Após o depoimento do presidente do Vila Nova Futebol Clube, major Hugo Jorge Bravo, nesta quarta-feira, 7 de agosto, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado quer direcionar o seu foco para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD), informa a Agência Senado.
Bravo foi o primeiro dirigente esportivo a denunciar as suspeitas de manipulação de resultados de partidas. Ele reuniu e apresentou provas ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) após saber que um jogador de seu clube foi aliciado e estava sendo ameaçado por apostadores. Essa iniciativa deu início à Operação Penalidade Máxima, que investiga diversos casos suspeitos de manipulação no futebol brasileiro.
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Os senadores criticaram decisões recentes da entidade como o pedido de suspensão de seis anos e multa de cerca de R$ 2 milhões ao dono da SAF do Botafogo, o estadunidense John Textor. O gestor do clube carioca fez diversas acusações sobre manipulações no futebol brasileiro. Eles acham que há desproprocionalidade nas punições do Tribunal.
"Sabe qual é a punição que pediram pelas denúncias do John Textor, por ele fazer as denúncias que eles alegam infundadas? Seis anos e R$ 2 milhões de multa. Se você inibir as pessoas de levarem os indícios, se você não tem um canal para que as pessoas encaminhem os indícios, você está deixando a porta escancarada. E se você ainda pune com a pena maior aquele que fez a denúncia de investigação do que o próprio corrupto e o corruptor, é inversão de valores", apontou o senador Carlos Portinho (PL-RJ).
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Wesley Cardia
A CPI também aprovou requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE) para que Wesley Cardia, ex-presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), passe a figurar como investigado. O pedido inclui a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático.
Wesley Cardia foi recebido para depor na CPI na terça-feira, dia 6 de agosto. Amparado por um habeas corpus que lhe garantiu o direito ao silêncio, Cardia não respondeu sobre ter sido supostamente procurado para cobrança de propina de R$ 35 milhões.
O autor da proposta teria sido o deputado Felipe Carreras (PSB-PE), então relator da CPI das Apostas na Câmara Federal (realizada em 2023), que ofereceria, em troca, proteção ao setor naquela comissão parlamentar de inquérito. A informação foi publicada pela revista Veja, sendo que Carreras nega a acusação e nenhuma evidência material foi apresentada contra o deputado.