Como noticiado anteriormente pela Yogonet, um dos workshops que integraram a Global Gaming Expo (G23), em Las Vegas, foi voltado para o mercado de jogos, apostas e loterias no Brasil.
Com o título de “Desbloquear o Brasil: entendendo a legislação, oportunidades e estratégias de crescimento desta paisagem emergencial”, o painel reuniu representantes do mercado e especialistas para uma discussão no último dia do evento, 12 de outubro.
Um dos temas debatidos foi o projeto de lei (PL) 3.626/23, que regulamenta as apostas esportivas e traz novas regras. Na abertura, Magnho José, presidente do Instituto Jogo Legal (IJL) e editor do site especializado BNLData, alertou sobre alguns pontos que entende como problemáticos no PL.
Um deles é a questão da tributação prevista pelo texto em discussão no Senado. A porcentagem determinada é de 18% do Gross Gaming Revenue. Somadas as outras taxas que as empresas pagarão, estima-se que se chegará a um total de até 35% de tributos.
“Se forem mantidos esses parâmetros, a legislação brasileira estará flertando com o fracasso e apenas meia dúzia de grandes empresas aplicarão uma licença gerando uma canalização muito baixa dos apostadores, que vão acabar optando para continuar no mercado não regulado”, disse José, de acordo com o BNLData.
Outros participantes também compartilharam opiniões sobre os avanços dos últimos anos e como veem os rumos do mercado para o futuro. Leonardo Baptista, CEO e co-fundador da empresa Pay4Fun, explicou sobre a ferramenta que permite o pagamento e a realização de apostas por parte do público e as transformações recentes.
Já o presidente da Tictabs e representante da AGS no Brasil, Marcus Fortunato, relatou algumas das principais dificuldades que o setor enfrenta no país, sem perder o otimismo.
“O Brasil já registrou grandes avanços nos últimos anos, mas cabe registrar que existe uma indústria do ‘agora vai’ sobre a legalização dos jogos e muitos advogados e pseudo-consultores estão ganhando com o processo. Como o próprio painel diz, o Brasil é um país com um grande potencial e ainda poucas oportunidades, neste ponto eu concordo, mas a legislação terá que avançar para gerar segurança para os empresários que desejarem investir no país. O momento é de avaliação de riscos e não de projeção de faturamento. O processo é uma maratona e não uma corrida de curta distância e quem achar que pode entrar na corrida agora e já enxergar a linha de chegada, está sendo iludido e certamente irá quebrar a cara. Somos otimistas e a prova é que temos uma fábrica no Brasil produzindo terminais lotéricos com grande potencial de expansão”, disse Fortunato, segundo o BNLData.
Também estiveram presentes no workshop: Valter Delfraro Jr. (executivo de Relações Governamentais e Desenvolvimento de Negócios no Brasil dos Laboratórios GLI), Karen Marcela Sierra-Hughes (vice-presidente da América Latina & Caribbean da GLI) e Alan Burak (vice-presidente da MONOGRAFIE – SAGSE Latam).