A Zenith, provedora de plataformas de iGaming, compartilhou uma entrevista com Karina Moral, gerente sênior de desenvolvimento de negócios para a América Latina, que analisa como Brasil, Colômbia, Peru e outros mercados da região avançam para uma etapa mais disciplinada, em que eficiência, regulação e conhecimento local se tornam fatores-chave para o sucesso dos operadores.
Leia a entrevista:
O Brasil domina as conversas no setor, mas onde você está vendo agora os sinais mais significativos de maturidade na América Latina?
Embora o Brasil concentre a maior parte da atenção global, alguns dos sinais mais claros de maturidade vêm de mercados que já superaram a fase inicial de crescimento. A Colômbia, por exemplo, continua demonstrando como funciona, na prática, um modelo regulatório estável e eficiente, enquanto o Peru começa a apresentar um comportamento mais estruturado à medida que os operadores se adaptam ao ambiente regulado.
O que se destaca nesses mercados não é o crescimento acelerado, mas uma mudança na forma de pensar dos operadores. Há menos foco em entrar rapidamente e mais ênfase em construir operações sustentáveis, aperfeiçoar portfólios e melhorar a retenção. Essa mudança de mentalidade é um forte indicador de que esses mercados estão entrando em uma fase mais madura, na qual a execução importa mais do que a presença.

Mercados como Colômbia, Argentina e Peru já estão estabelecidos há algum tempo. Como estão evoluindo comercialmente à medida que a concorrência aumenta e a regulação se torna mais rígida?
À medida que a concorrência cresce e a regulação começa a se consolidar, esses mercados se tornam mais disciplinados comercialmente. Os operadores passam a sofrer maior pressão para justificar custos, otimizar o desempenho e se afastar de estratégias centradas apenas na aquisição que não geram valor no longo prazo.
O crescimento já não é impulsionado apenas pela escala, mas pela eficácia com que os operadores gerenciam custos, curam sua oferta de conteúdo e constroem experiências que mantenham os jogadores ao longo do tempo.
Na Colômbia, isso já é visível na forma como os operadores gerenciam seus portfólios e investimentos em marketing, enquanto no Peru a transição para um ambiente regulado está levando os operadores a repensar como estruturam sua oferta desde o início. A Argentina continua sendo mais complexa devido ao seu modelo provincial, mas mesmo ali os operadores estão se tornando mais seletivos e estratégicos na forma de abordar cada região.
O que vemos de forma mais consistente é uma virada em direção à eficiência, tanto no nível técnico quanto comercial. Soluções como GamesAPI estão começando a desempenhar um papel mais relevante nesse sentido, oferecendo aos operadores acesso a preços competitivos entre os principais provedores, ao mesmo tempo em que simplificam processos por meio da OneAPI.
Combinadas a uma infraestrutura desenhada em torno das condições de cada mercado local, ambas têm sido uma virada de chave para ajudar os operadores a navegar pelas particularidades de cada mercado.
Quais mercados estão avançando atualmente na direção correta do ponto de vista regulatório ou comercial, embora ainda não recebam muita atenção?
Há vários mercados que avançam silenciosamente na direção certa, embora não dominem as manchetes do setor. O Chile é um dos mais observados, com avanços regulatórios contínuos e uma forte demanda subjacente impulsionada por sua consolidada cultura de jogos presenciais.
O México também segue sendo um mercado importante, não tanto por mudanças regulatórias imediatas, mas pelo seu potencial de longo prazo. A população já está altamente engajada com o jogo presencial, com uma sólida cultura em torno dos cassinos físicos. O desafio para os operadores será converter esses jogadores para o ambiente online e recriar o componente social que é tão essencial na experiência presencial.
Ao mesmo tempo, mercados menores como Equador e Bolívia começam a ganhar forma e atrair o interesse inicial dos operadores. Embora ainda exista alguma incerteza, esses mercados mostram sinais promissores de desenvolvimento. Para operadores dispostos a adotar uma abordagem mais cautelosa, oferecem oportunidades ainda não tão saturadas nem disputadas.

Onde você vê o maior potencial inexplorado na América Latina nos próximos 12 a 18 meses?
O potencial inexplorado na América Latina abrange tanto novos mercados quanto novas formas de abordar os existentes. Mercados com forte tradição presencial, como o Chile e partes da América Central, continuam representando uma oportunidade significativa quando se trata de converter jogadores para o ambiente digital.
Isso frequentemente exige que os operadores repensem como constroem seus produtos, desde o onboarding e a experiência do usuário até a seleção de conteúdo e as estratégias de engajamento. Jogadores oriundos de ambientes presenciais costumam buscar familiaridade, clareza e confiança, o que significa que o portfólio e a experiência geral devem refletir isso.
Do ponto de vista da Zenith, contar com uma equipe central na América Latina faz uma diferença significativa. Estar próximo ao mercado permite uma compreensão mais profunda do comportamento e das expectativas dos jogadores, o que, por sua vez, ajuda os operadores a desenhar experiências que ressoem localmente e promovam maior retenção ao longo do tempo. Nos próximos 12 a 18 meses, os operadores que conseguirem fechar essa lacuna de forma eficaz serão os que provavelmente destravarão o crescimento mais relevante.
Como a Zenith se posiciona para apoiar operadores que se expandem na região?
À medida que os mercados amadurecem, os operadores precisam de estrutura, flexibilidade, acesso ao conteúdo certo e capacidade de adaptação rápida às mudanças de condições. É aí que os principais produtos da Zenith, OneAPI e GamesAPI, realmente oferecem uma vantagem competitiva.
Por meio da OneAPI, os operadores podem escalar de forma eficiente em múltiplos mercados com uma única integração, reduzindo a complexidade técnica e permitindo uma implementação mais rápida de conteúdo certificado. Já a GamesAPI oferece uma abordagem mais seletiva, proporcionando aos operadores a flexibilidade de construir portfólios que reflitam a demanda local e as preferências específicas dos jogadores, tudo a preços altamente competitivos.
Essa combinação permite equilibrar escala com precisão, ao mesmo tempo em que garante condições comerciais vantajosas com fornecedores líderes.
Olhando para o futuro, o que vai diferenciar os operadores bem-sucedidos na América Latina daqueles que ficarão para trás?
A diferença entre operadores bem-sucedidos e aqueles que enfrentam dificuldades se torna cada vez mais evidente. O sucesso está cada vez mais ligado à capacidade de compreender profundamente cada mercado. Isso envolve saber gerenciar custos de forma eficaz e aplicar o conhecimento local adequado para executar com consistência.
Operadores que dependem de estratégias globais sem adaptação ao comportamento local continuarão enfrentando desafios, especialmente à medida que a concorrência aumenta e a regulação se torna mais rigorosa.
A América Latina nunca foi um mercado em que visibilidade e marca forte sejam suficientes. É um mercado que recompensa operadores que o abordam com disciplina, entendendo suas particularidades e investindo com uma visão de crescimento de longo prazo.