A Justiça do Rio Grande do Sul aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado (MPRS) contra um jogador de futebol investigado por manipulação de resultados em apostas esportivas e lavagem de dinheiro, na Operação Totonero.
Com a decisão, o atleta, que atuava pelo Juventude, em Caxias do Sul, à época dos fatos, passa à condição de réu e responderá a processo criminal.
A denúncia foi apresentada em fevereiro deste ano pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e recebida pelo Judiciário na última quinta-feira, 23 de abril, após o reconhecimento de indícios suficientes de autoria e materialidade.
Segundo o Ministério Público, as apurações apontam para um esquema de manipulação de mercados secundários de apostas, especialmente relacionados à aplicação de cartões durante partidas do Campeonato Brasileiro da Série A.
“A investigação identificou que, em jogos nos quais o atleta era advertido, ocorria aumento atípico e concentrado de apostas no mercado específico de cartão de jogador, indicando possível conhecimento prévio do resultado por parte de apostadores”, destacou o promotor.
Deflagrada em maio de 2025, a Operação Totonero teve origem em um procedimento investigatório baseado em informações repassadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e por entidades internacionais de monitoramento da integridade das apostas.
A ação mirou a manipulação de eventos específicos dentro das partidas, como a aplicação de cartões, prática conhecida como exploração de mercados secundários.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência do jogador e também no Estádio Alfredo Jaconi, no armário de uso pessoal do atleta à época.
Além disso, a Justiça autorizou medidas como quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, que contribuíram para a coleta de provas e sustentaram a denúncia apresentada pelo MPRS.