ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O FUNDADOR DO GRUPO SIGMA

Eman Pulis: "Proteção ao jogador deve estar no centro de qualquer política"

13-04-2026
Tempo de leitura 5:18 min

Durante o BiS SiGMA South America, realizado em São Paulo (SP) de 6 a 9 de abril, o Yogonet entrevistou com exclusividade Eman Pulis, fundador do Grupo SiGMA. Na conversa, ele destacou a importância do evento no cenário atual de regulamentação do mercado brasileiro de jogos e apostas online.

O SiGMA tem um papel essencial ao reunir indústria e reguladores para que todos possam aprender juntos e garantir um crescimento sustentável do setor. É muito importante estarmos aqui em São Paulo, na capital de negócios do iGaming na América Latina. Além disso, o evento está alinhado com nossa ambição maior, que é promover o jogo regulamentado globalmente”, analisou.

A entrevista trouxe ainda reflexões sobre temas como responsabilidade social na indústria de jogos, os riscos da sobrerregulação, o lançamento de um novo evento do Grupo SiGMA no México e a proposta de aproximar o setor de gaming do ecossistema de inovação tecnológica.

O SiGMA Group tem diversos eventos pelo mundo. Dentro desse portfólio, como você avalia a importância do BiS SiGMA South America, em São Paulo?

O evento cumpre uma função muito importante para o Brasil. Estamos em um momento crítico, com a regulamentação avançando, e acredito que o SiGMA tem um papel essencial ao reunir indústria e reguladores para que todos possam aprender juntos e garantir um crescimento sustentável do setor. Além disso, o evento está alinhado com nossa ambição maior, que é promover o jogo regulamentado globalmente.

O SiGMA estará sempre onde a indústria precisar. Estamos presentes em todos os mercados emergentes: Dubai, Sri Lanka, Manila, São Paulo, Cidade do Cabo e, em breve, estaremos na Cidade do México. Esses são os lugares onde precisamos reforçar a mensagem de que o jogo regulamentado é o único caminho viável.

É muito importante estarmos aqui em São Paulo, na capital de negócios do iGaming na América Latina. Fico muito feliz em ver reguladores de toda a América Latina participando e a mídia latino-americana destacando a relevância do evento.

O evento mudou de nome: antes era BiS SiGMA Americas e agora é BiS SiGMA South America. A mudança veio após o evento lançado pelo Grupo SiGMA no México, o SiGMA North America. Por que decidiram criar um novo evento em vez de concentrar tudo na edição de São Paulo?

Quando realizávamos o BiS SiGMA Americas em São Paulo, atendíamos a uma demanda. No entanto, percebemos que o evento precisava ser feito em português para a audiência brasileira. A América Latina é dividida entre mercados de língua portuguesa e espanhola, e não tínhamos presença na América do Norte. 

Identificamos, então, uma oportunidade perfeita para nós em vários aspectos. O primeiro é que poderíamos criar uma conferência que atendesse o público latino de língua espanhola, o que eu sentia que o evento em São Paulo não estava fazendo.

Em segundo lugar, o mercado mexicano de jogos está ganhando muita tração, e vimos forte demanda das empresas. O evento na Cidade do México atenderá não apenas a América Latina hispânica, mas também o mercado da América do Norte, que terá uma nova opção. Já há feiras incríveis realizadas nos Estados Unidos, e agora haverá um grande encontro que estamos levando ao México.

Quer você esteja na Costa Leste ou na Costa Oeste dos Estados Unidos, é relativamente fácil ir ao México. Não podemos esquecer que os mexicanos adoram acompanhar os esportes americanos, seja a NBA, a NFL, o beisebol ou outras modalidades. Por isso, acredito que temos uma boa fórmula para que o SiGMA North America, na Cidade do México, se torne mais uma história de sucesso.

Você nasceu e cresceu em Malta. Na sua opinião, o que o Brasil pode aprender com a experiência maltesa? Afinal, Malta é um país pequeno em território. Mas, quando se trata de jogos, da indústria do iGaming, pode-se dizer que é um gigante, pois há muitas empresas sediadas lá e o regulador Malta Gaming Authority é visto como referência. O que o Brasil pode aprender com a experiência do seu país?

Essa é uma pergunta que talvez fosse melhor respondida por um regulador, mas veja, a Malta Gaming Authority tem mais de 25 anos de experiência, não é uma autoridade reguladora que está começando agora. Uma das principais lições é que é fundamental regular, mas sem exageros. A sobrerregulação pode empurrar operadores para o mercado ilegal, o que não é ideal para a indústria.

Existe um ponto de equilíbrio na regulação, e acredito que a Malta Gaming Authority aprendeu essa lição ao longo dos anos. Certamente há muitos aprendizados que podem ser compartilhados com os diferentes stakeholders.

É importante considerar que Malta é uma pequena ilha com licenças offshore, enquanto o regulador no Brasil trabalha com um modelo nacional de licença. São contextos geopolíticos bastante diferentes, e é preciso ter essa perspectiva em consideração.

Qual a sua visão sobre os mercados de previsão? Você acha que eles fazem parte da indústria do iGaming ou são algo distinto?

Eu gosto de simplificar a análise: estamos falando de um jogo de habilidade ou de sorte? Se houver elemento de sorte envolvido, acredito que a autoridade reguladora deve sempre atuar.

No fim das contas, a proteção ao jogador deve estar sempre no centro de qualquer política. Portanto, se há jogo de azar, sim, a entidade reguladora deve atuar.

Inauguração da Faculdade da Luta, iniciativa apoiada pela Fundação SiGMA em São Paulo (imagem: divulgação)

A Fundação SiGMA, braço de filantropia do Grupo SiGMA, tem projetos em diferentes lugares, como Brasil, África e Ásia. Na sua visão, a indústria de jogos deve ter uma responsabilidade social?

Com certeza. A indústria de jogos deve abraçar a ideia de retribuir à sociedade, e estamos aqui para isso.

Estamos cercados por empresas extremamente bem-sucedidas e queremos usar a plataforma do SiGMA para apoiar quem mais precisa. Não vamos parar até o dia em que todos os nossos projetos — e criamos cerca de oito projetos por ano — estejam contribuindo para que, no mínimo, um milhão de pessoas sejam impactadas positivamente, e recebam ajuda para sair da linha da pobreza

Assim que atingirmos esse milhão, poderemos nos considerar milionários de verdade. Não medimos um milhão em termos monetários, em euros ou em dólares. Medimos pelo impacto positivo

Como as empresas podem contribuir com a Fundação SiGMA e ajudar nas causas sociais?

Entre em contato conosco: seja durante os eventos, por WhatsApp, redes sociais ou e-mail. Vamos fazer o possível para encontrar formas de colaboração.

Não estamos limitados a países ou cidades. Pessoas em necessidade são pessoas em necessidade, independentemente de onde estejam. Por isso, temos projetos na Etiópia, Uganda, Peru, Guatemala, Filipinas, São Paulo e, em breve, no Rio de Janeiro.

Também apoiamos as empresas que participam dos projetos, oferecendo visibilidade, mídia e oportunidades de patrocínio. Estamos investindo bastante nisso, e fico feliz em ver os resultados aparecendo após alguns anos.

Para encerrar, gostaria de acrescentar algo que não foi perguntado?

No futuro, os jogos vão depender cada vez mais de tecnologias de fronteira [frontier technologies], como computação quântica, inteligência artificial, big data, tecnologia blockchain, fintech, DeFi, GameFi e Internet das Coisas. Tudo isso está impactando o mundo do iGaming como nunca antes

E para abordar isso desde o início, lançamos outra conferência chamada AIBC, que tem o objetivo de trazer as tecnologias de fronteira para o setor. 

A AIBC será realizada em conjunto com o maior evento do SiGMA em Roma, em novembro. Com isso, veremos, pela primeira vez, nomes de destaque da tecnologia de fronteira — incluindo fundadores de exchanges de criptomoedas, como Vitalik Buterin, da Ethereum — participando de um evento que, normalmente, não faria parte do circuito desse público. Eles estarão lado a lado com o público de jogos do SiGMA.

Assim, esperamos ver uma troca de ideias entre tecnologia e jogos a partir de novembro. E convido qualquer pessoa da área de tecnologia de fronteira a entrar em contato conosco, pois queremos garantir que essa troca de ideias aconteça como em nenhuma outra feira antes.

BiS SiGMA South America 2026 - O interior da feira

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