O segundo dia do BiS SiGMA South America 2026, realizado nesta quarta-feira, 8 de abril, em São Paulo (SP), foi marcado por discussões sobre temas que vão da legalização dos cassinos físicos até o papel da experiência do usuário e da cultura local na evolução do mercado de apostas online.
No painel sobre os cassinos, ex-ministro do Turismo Vinicius Lummertz comentou que o Brasil perdeu 80 anos de arrecadação tributária e geração de empregos ao não permitir a operação desse tipo de jogo — a proibição data de 1946, quando foi publicado um decreto-lei que colocou o segmento na ilegalidade.

Já o senador Irajá Silvestre, relator do Projeto de Lei (PL) 2.234/22, que legaliza o jogo físico, manifestou confiança na aprovação da matéria após tentativas frustradas de levá-la à votação no plenário do Senado. O texto foi originalmente apresentado em 1991 e, desde então, tramita no Parlamento brasileiro.
“Estou confiante na aprovação do PL 2.234 no Senado. Eu já vi, há dois anos, uma distância maior. Estamos agora, de maneira muito gradual, avançando e conquistando a aderência e o apoio de novos senadores. Temos uma janela de oportunidade até o mês de junho para que o presidente da Casa [senador Davi Alcolumbre] decida pautar essa matéria e possamos aprová-la. Assim, ganhamos tempo para que esse mercado possa se organizar e os investimentos possam acontecer no Brasil na virada para o ano que vem”, comentou Irajá.

Em relação às apostas online, os debates se voltaram mais para a forma como as empresas estão se adaptando ao comportamento do consumidor.
Os painéis ao longo do dia destacaram também que a competição no mercado regulado tende a ser cada vez mais definida pela experiência oferecida ao usuário. Elementos como personalização, velocidade de pagamento e usabilidade foram apontados como fatores decisivos para retenção e crescimento.

A discussão incluiu ainda o papel da tecnologia na construção dessas experiências, com o uso de dados e algoritmos para entender padrões de comportamento e oferecer jornadas mais fluidas e interativas.
Novamente, o BiS SiGMA South America recebeu grandes nomes do esporte. Depois dos ex-jogadores de futebol Julio César, Lugano, Zinho e Aloísio Chulapa marcarem presença no primeiro dia, foi a vez de Vampeta, Müller e Luizão participarem de um painel. Os três têm algo em comum: foram campeões da Copa do Mundo com a camisa da seleção brasileira. O setor de apostas esportivas, inclusive, vive a expectativa do próximo Mundial, que começa em cerca de dois meses.

Outro tema abordado foi a necessidade de adaptação cultural. As empresas que operam no Brasil vêm ajustando suas estratégias para dialogar com um público altamente conectado ao esporte, especialmente ao futebol, e com forte presença em redes sociais.
Os debates apontaram que campanhas genéricas tendem a ter menor impacto em comparação com iniciativas que incorporam referências culturais locais e linguagem mais próxima do público.
Essa adaptação também se reflete em parcerias com clubes, influenciadores e figuras do esporte, que ajudam a construir identificação e confiança junto aos usuários.

“Quando não há mais espaço para estampar a marca na camisa do clube, as empresas aproveitam o atleta para ser a pessoa que vai comunicar. O brasileiro sempre vai ser fã do esporte, e a porta de entrada no iGaming é por meio do esporte”, comentou Fellipe Fraga, CBO da Stellar Gaming.
A programação do evento continua nesta quinta-feira, 9 de abril, com discussões voltadas à inovação, loterias estaduais e perspectivas futuras para o mercado de apostas no Brasil.
A agenda completa do último dia pode ser conferida aqui.