A Polícia Civil de São Paulo realizou recentemente a Operação Dupla Face contra um esquema criminoso que combinava divulgação de apostas online, comércio ilegal de medicamentos e lavagem de dinheiro em Rio Claro, no interior do estado.
De acordo com as investigações, duas irmãs, que atuavam como influenciadoras digitais, eram as principais responsáveis pela divulgação de plataformas clandestinas de apostas.
Segundo a Polícia Civil, a estratégia envolvia promessas de ganhos fáceis, ostentação de luxo e simulação de resultados positivos, com o objetivo de convencer seguidores a ingressarem nas plataformas. O modelo de atuação reforça o alerta sobre o uso de influenciadores na promoção de apostas, prática que tem sido alvo de investigações em diferentes regiões do país.
Além da exploração de jogos de azar online, o grupo também atuava na venda irregular de medicamentos controlados, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, sem autorização legal. As apurações ainda identificaram práticas de ocultação de patrimônio e movimentações financeiras suspeitas, indicando um possível esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, a organização tinha uma estrutura definida, com divisão de funções. Enquanto as irmãs eram responsáveis pela captação de clientes e promoção digital das apostas, outros integrantes cuidavam da operação logística e da gestão financeira do esquema.
As investigações apontam que a movimentação financeira do grupo ultrapassou R$ 13 milhões, valor considerado incompatível com a renda oficialmente declarada pelos envolvidos.
Durante a operação, a Justiça determinou o cumprimento de diversas medidas cautelares, incluindo buscas domiciliares em cinco endereços, bloqueio de até R$ 13,7 milhões em ativos financeiros e o sequestro de bens. Entre os itens apreendidos estão dois imóveis e três veículos de luxo, incluindo modelos das marcas Porsche e Mercedes-Benz.
As autoridades destacam que as medidas têm como objetivo interromper as atividades ilegais, fortalecer a coleta de provas e viabilizar a recuperação de recursos de origem ilícita.
Os investigados poderão responder por associação criminosa, exploração de jogos de azar, crimes contra as relações de consumo, comércio ilegal de medicamentos e lavagem de dinheiro.