A América Latina tem se consolidado gradualmente como um foco para a indústria de iGaming, com um público dinâmico e em forte crescimento. As principais empresas começaram a direcionar seus produtos para a região, buscando se destacar diante da concorrência.
A Belatra é uma das companhias que voltaram sua atenção para os jogadores latino-americanos. Na entrevista exclusiva a seguir com o Yogonet, Florencia Mendiuk, Account Manager para a região, falou sobre a estratégia da empresa para 2026 e sobre como as características desse mercado influenciam o desenvolvimento dos produtos.
Vocês estão planejando desenvolver conteúdos localizados especificamente para os mercados latino-americano e brasileiro este ano, ou a produção de jogos continuará sendo principalmente internacional, sem temas específicos da região?
Na Belatra, nos concentramos em construir um portfólio versátil que funcione bem em diferentes culturas sem perder seu apelo central. Como nossos títulos já oferecem suporte a 16 idiomas, eliminamos efetivamente as barreiras iniciais de entrada para jogadores de todo o mundo, tornando o conteúdo inerentemente global.
No entanto, não acreditamos em uma abordagem de “tamanho único”. Estamos analisando constantemente as particularidades regionais e a América Latina, especialmente o Brasil, é uma região que estamos observando muito de perto. Notamos uma mudança clara no comportamento dos jogadores, com um forte apetite por formatos mais rápidos e de alto engajamento.
Para atender a essa demanda, atualmente estamos integrando mecânicas específicas que ressoam com o público da América Latina em nossos próximos lançamentos. Por exemplo, temos vários novos títulos na categoria de crash games em desenvolvimento neste momento. Ao priorizar esses formatos de alta ação em nosso roadmap atual, nosso objetivo é aproveitar o impulso do mercado brasileiro e garantir que os jogos continuem atraentes para nossa base global de jogadores.
Você vê um interesse crescente e maior profissionalização entre os operadores online na América Latina ou espera que este ano seja mais uma fase de estabilização para os mercados regionais após um longo período de forte crescimento?
Eu diria que estamos vendo tanto um crescimento contínuo quanto uma clara aceleração na profissionalização, mas este ano parece mais uma fase de consolidação do que um ciclo de expansão pura.
Depois de um período de rápidas aberturas de mercado e mudanças regulatórias, as barreiras de entrada estão mais altas, o escrutínio regulatório é mais forte e a concorrência está mais estruturada.
Em mercados como Brasil, Peru e México, a aplicação das regulamentações se tornou significativamente mais rigorosa, o que eleva as barreiras de entrada e aumenta o custo e a complexidade das operações. Isso está levando os operadores a investir mais em governança, infraestrutura de compliance e posicionamento de marca de longo prazo, sinais claros de um ecossistema mais profissional.
Portanto, em vez de uma desaceleração, trata-se de uma transição: a América Latina está passando de uma fase de alto crescimento impulsionada por oportunidades para um ambiente de mercado mais maduro e disciplinado.
Como foi 2025 em termos de investimento por parte de cassinos e salas de jogo físicas na renovação de sua oferta de jogos? Quais países foram mais ativos nesse sentido e em quais mercados as condições econômicas ou políticas frearam os processos de investimento dos operadores?
O ano de 2025 consolidou efetivamente a mudança para o modelo “digital first” em todo o setor de jogos. Observamos uma tendência global em que o capital de investimento está sendo cada vez mais direcionado para plataformas online, impulsionado por uma mudança fundamental no comportamento dos jogadores. À medida que acessibilidade e mobilidade se tornam fatores prioritários, muitos operadores terrestres adotaram uma postura mais conservadora em relação a grandes renovações de hardware.
Do ponto de vista estratégico, o ano passado foi definido por pragmatismo econômico: os recursos seguiram o maior nível de engajamento, que atualmente está no ambiente digital. Na Belatra, temos orgulho de nossa agilidade, por isso nosso foco principal ao longo de 2025 foi escalar nosso portfólio online para atender a essa demanda crescente.
No entanto, enxergamos a indústria sob uma perspectiva cíclica. Embora o mundo digital seja dominante neste momento, existe uma qualidade duradoura e insubstituível na atmosfera e no feedback tátil de um cassino físico. Acreditamos que o elemento humano — o desejo por um ambiente social tangível — eventualmente desencadeará um interesse renovado nas ofertas baseadas em terra.
Com isso em mente, continuamos mantendo projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no setor land-based, garantindo que, quando o apetite do mercado por hardware físico voltar a crescer, estaremos prontos com soluções de próxima geração.
Vocês estão trabalhando na integração da inteligência artificial em seus processos de desenvolvimento de jogos?
Na Belatra, integramos perfeitamente a inteligência artificial (IA) em nossos fluxos de trabalho de desenvolvimento, considerando-a um poderoso catalisador para a expansão criativa. A IA já se tornou um ativo essencial durante nossas etapas de pré-produção; utilizamos a tecnologia para ideação conceitual rápida, brainstorming em grande escala e análise de dados. Isso permite que nossa equipe explore direções visuais e mecânicas não convencionais com muito mais agilidade.
Dito isso, nossa filosofia permanece clara: a IA é um copiloto sofisticado, não o piloto. Acreditamos firmemente que a tecnologia não pode — e não deve — substituir a engenhosidade humana. A verdadeira “alma” de um jogo, sua atmosfera e ressonância emocional, vem da intuição e da experiência de nossos desenvolvedores.
Acreditamos que apenas uma sinergia cuidadosa entre algoritmos avançados e talento humano pode ampliar os limites do design de jogos, preservando ao mesmo tempo a centelha única com a qual os jogadores realmente se conectam.