A SOFTSWISS deu um passo decisivo nas suas ambições em inteligência artificial com a nomeação de Denis Romanovskiy como Chief AI Officer (CAIO) no mês passado — movimento que sinaliza que a IA deixou de ser uma camada experimental para se tornar um componente central da estratégia de longo prazo da empresa.
Ao elevar a liderança de IA ao nível executivo (C-suite), a companhia posiciona a inteligência artificial não apenas como uma ferramenta de produtividade, mas como uma infraestrutura fundamental capaz de moldar operações, segurança e diferenciação competitiva.
Nesta entrevista exclusiva ao Yogonet, Romanovskiy aborda a transição da experimentação para a execução em escala corporativa, o pensamento arquitetônico por trás da plataforma centralizada de IA da SOFTSWISS e o que significa a adoção responsável de inteligência artificial em um ambiente altamente regulado como o iGaming.
A SOFTSWISS criou o cargo de Chief AI Officer pela primeira vez. O que elevar a IA ao nível da C-suite revela sobre como a empresa enxerga a inteligência artificial hoje?
A criação da posição de CAIO é um movimento estratégico para transformar a IA de uma tecnologia promissora em um elemento fundamental da nossa infraestrutura de negócios. Não a vemos apenas como uma ferramenta para tarefas pontuais, mas como um motor de transformação global.
A necessidade de uma liderança centralizada tornou-se evidente quando a adoção tecnológica passou a envolver mais de 2 mil colaboradores: precisávamos de padrões unificados de gestão e segurança, além de uma direção clara de desenvolvimento para manter nossa liderança diante de mudanças aceleradas.
Você passou anos na SOFTSWISS como vice-CTO. Como assumir o cargo de CAIO muda suas prioridades e responsabilidades no dia a dia?
Minhas prioridades passaram da gestão geral de plataformas tecnológicas para o desenho estratégico especializado em IA. Antes, meu foco estava na escalabilidade de engenharia; agora, envolve a criação de um verdadeiro “Greenfield” de oportunidades em inteligência artificial dentro da empresa.
Isso exige mais do que implementar novos sistemas — implica mudar a própria metodologia de trabalho. Estamos avançando para um modelo em que a IA está organicamente integrada a todos os processos de negócios.
Você mencionou a transição da experimentação para a execução. Quais foram os principais aprendizados das primeiras iniciativas de IA da SOFTSWISS? O que diferencia uma estratégia de IA em nível corporativo da adoção pontual ainda comum em muitas empresas?
O principal aprendizado é que a implementação eficaz de IA é impossível sem uma arquitetura sistêmica de segurança e proteção dos dados corporativos. O que diferencia nossa estratégia de uma abordagem ad hoc é a profundidade da integração: estamos construindo múltiplas camadas de controle de qualidade para minimizar riscos de erro.
Também investimos fortemente na capacitação das equipes. As pessoas precisam saber como interagir corretamente com os modelos, validar resultados e compreender as limitações da tecnologia.
Como vocês medem o sucesso da implementação de IA em larga escala? O que representa, na prática, um ganho real de produtividade?
Para nós, o sucesso é definido por ROI mensurável e pela redução radical dos ciclos de produção. Produtividade significa que tarefas técnicas que antes exigiam semanas de planejamento e execução agora podem ser concluídas em horas — ou até minutos.
Isso libera o capital intelectual dos colaboradores: em vez de atividades rotineiras, eles passam a focar no desenvolvimento profundo de ideias e estratégias. A capacidade das equipes de avançar várias vezes mais rápido sem perda de qualidade é nosso principal KPI.
A plataforma de IA da empresa foi concebida como uma infraestrutura centralizada, e não como um conjunto de ferramentas. Por que essa decisão arquitetônica foi tão importante?
Uma arquitetura centralizada permite aplicar o princípio de “construir uma vez e usar em todos os lugares”, eliminando a duplicação de ferramentas entre departamentos. Transparência de custos e auditabilidade foram incorporadas desde a base da plataforma, não apenas por controle financeiro, mas também por segurança.
Isso possibilita implementar algoritmos controlados, nos quais cada decisão tomada pela IA é transparente e pode ser revisada ou revertida por um especialista dentro de um intervalo de tempo definido.
Você destacou o empoderamento de equipes não técnicas, como RH, Vendas e Suporte ao Cliente. Que fluxos de trabalho baseados em IA já estão gerando mais valor fora das áreas de engenharia?
Estamos democratizando a inovação ao oferecer templates seguros e testados de automação. O impacto mais visível atualmente está no Suporte ao Cliente, onde o uso de IA permite escalar o atendimento sem comprometer a qualidade.
Processos de análise documental em RH e Vendas também apresentam altos ganhos de eficiência. Além disso, o papel do colaborador está mudando: ele passa a atuar como gestor de um conjunto de agentes de IA, coordenando suas atividades e garantindo o controle final de qualidade com base em pensamento sistêmico.
O setor de iGaming opera em ambientes altamente regulados. Como essa realidade influencia a adoção de IA pela SOFTSWISS? O que significa, na prática, uma “IA responsável”?
O ambiente regulado exige a implementação de rígidos mecanismos de proteção. Para nós, uma abordagem responsável significa que a IA sempre opera em conjunto com conhecimento corporativo validado por meio de sistemas RAG.
Arquitetonicamente, isso envolve mecanismos claros de controle: embora a IA possa propor soluções e automatizar verificações de compliance — acelerando significativamente o trabalho dos operadores — a decisão final e a responsabilidade sobre escolhas críticas permanecem sempre com um especialista humano.