Em uma entrevista exclusiva ao Yogonet, realizada na semana passada durante a ICE Barcelona 2026, Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, analisou o cenário do mercado brasileiro diante de um ano eleitoral.
O executivo compartilhou também sua visão sobre a consolidação do jogo online e das apostas esportivas, e detalhou os planos de expansão da empresa para a Argentina e o México, além de fazer um balanço da participação da companhia no evento internacional.
Como você espera que o mercado de jogos evolua em 2026 no Brasil, e quais são os principais desafios um ano após a consolidação do segmento de jogo online e apostas esportivas, e com eleições pela frente?
Acredito que será um ano de consolidação. O primeiro ano foi um espaço para tentar entender o que significava trabalhar em um mercado regulado, algo que ninguém sabia exatamente como iria funcionar no Brasil.
E 2026 será um ano extremamente importante para a indústria por dois motivos: precisamos de segurança jurídica e de tempo para trabalhar, sem novas mudanças à frente. Ou seja, precisamos desacelerar um pouco as alterações e, agora que a regulamentação já está definida e o imposto já existe, podemos avançar e trabalhar durante um ano sem sobressaltos. Isso, para mim, é muito importante, especialmente com a Copa do Mundo.
Por isso, acredito que será o maior ano da história da indústria, com uma disputa muito intensa contra o mercado ilegal e com tempo para consolidar os operadores licenciados. Será o maior ano da indústria no Brasil e, consequentemente, o maior da história da Pay4Fun.
Vocês têm uma posição de forte liderança no mercado brasileiro, mas também são uma empresa que vem expandindo sua atuação na América Latina. Quais mercados vocês veem hoje como mais promissores fora do Brasil?
O mercado de que eu mais gosto, e que sempre foi muito importante para nós, é a Argentina. E vamos iniciar a operação na Argentina em duas semanas, mas não no online como fazemos no Brasil, e sim nos cassinos físicos: vamos permitir que jogadores brasileiros possam pagar e jogar com Pix na Argentina. Vai ser algo enorme. Estamos muito felizes, pois é a primeira oportunidade da Pay4Fun de mostrar sua capacidade fora do Brasil.
E, saindo da Argentina, se tudo correr bem, vamos para o México. Acredito que esses sejam hoje os dois mercados mais importantes para nós, nos quais queremos tentar crescer neste ano. Começamos então pela Argentina no físico, depois vamos para o online. Se tudo der certo, antes do fim do ano, e também para o México, em paralelo. Esses são os nossos objetivos para este ano.”
Voltando ao Brasil, apesar das expectativas positivas, existe ruído político, comum em anos eleitorais. Isso tende a se intensificar ou a diminuir ao longo do ano?
É um ano complicado para o Brasil nesse sentido. Difícil porque é um ano de eleições para presidente, e esse é um tema que provavelmente vai impactar a indústria.
O cenário político pode, sim, ser complicado. Por exemplo, até o fim do ano passado eu acreditava na aprovação dos cassinos físicos no Brasil. Agora, para este ano, como o tema não avançou no Congresso, acredito que ninguém vá tocar nesse assunto, e ele deve ficar para o próximo ano. Será um período de maior estabilidade.
Qual a sua avaliação da ICE Barcelona 2026, que reuniu profissionais do Brasil e de toda a América Latina?
Sem dúvida, a ICE Barcelona foi o maior evento da indústria. Para nós, o ano sempre começa com essa feira. No Brasil, costumamos dizer que o ano começa depois do Carnaval, mas para nós, como empresa da indústria, o ano começa depois da ICE. E este ano foi impressionante. Tivemos reuniões e conversas constantes, saíamos de uma para entrar em outra.
Vimos muitas pessoas perguntando sobre o Brasil, muita gente indo ao país e, para nós, o mais importante é perceber que os operadores estão começando a compreender o real potencial e funcionamento do mercado brasileiro.
Depois do ano passado, clientes e potenciais clientes entendem que não é apenas uma questão de preço: existe tecnologia, existe segurança por trás. Em um ano de Copa do Mundo, oferecemos escalabilidade tecnológica, e isso está nos colocando em uma posição de vantagem muito grande frente aos concorrentes. Estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos em Barcelona.