DENÚNCIA APONTA "LUCRO ILÍCITO"

MP do Tocantins denuncia influenciadora acusada de explorar jogos ilegais e lavar R$ 9,5 milhões

Foto: Marcelo de Deus - Dicom MPTO
29-01-2026
Tempo de leitura 2:12 min

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) denunciou, nesta segunda-feira, 26 de janeiro, uma influenciadora digital residente em Porto Nacional (TO) por exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro. A ação aponta a movimentação de mais de R$ 9,5 milhões de origem ilícita, informou o portal do MPTO.

De acordo com o promotor de Justiça Célio Henrique Souza dos Santos, a investigada utilizava seu alcance nas redes sociais, especialmente no Instagram, para promover jogos ilegais de forma ostensiva.

Segundo a denúncia, a atuação ocorria com "nítido intuito de lucro ilícito", associada à exibição de um padrão de vida luxuoso para induzir seguidores ao erro e atrair novas vítimas.

As investigações indicam que os valores eram movimentados por meio de uma empresa que, conforme o MPTO, funcionava exclusivamente como "empresa de fachada", destinada ao recebimento de ativos provenientes das atividades ilegais.

O documento destaca ainda a incompatibilidade entre a renda lícita declarada, cerca de R$ 3 mil mensais, oriunda da atuação da denunciada como dentista, e o elevado volume financeiro sob sua administração.

Embora o comunicado oficial do MPTO não cite o nome da influenciadores, veículos de imprensa como o g1 afirmam que se trata de Ana Paula Cerqueira Carvalho. 

Ocultação de valores e uso de “laranjas”

Segundo o MPTO, para dificultar o rastreamento do dinheiro, a influenciadora realizava saques vultosos em espécie, chegando a retirar R$ 100 mil em apenas dois dias. A denúncia aponta também o uso do ex-companheiro como "laranja", com a utilização de suas contas bancárias e de uma empresa física — uma churrascaria — para integrar o capital ilícito à economia formal.

Diante da desproporção entre patrimônio e rendimentos comprovados, o Ministério Público solicitou a perda dos bens adquiridos com recursos provenientes das infrações investigadas.

Na denúncia, o promotor afirma que a acusada estruturou um "sofisticado esquema" e requer a aplicação do "confisco alargado", mecanismo que permite a perda da diferença entre o patrimônio efetivamente existente e aquele compatível com a renda lícita declarada.

O processo segue agora para análise da 2ª Vara Criminal da Comarca de Porto Nacional.

Defesa

Ao g1, a defesa da influenciadora enviou a seguinte nota:

A defesa técnica de Ana Paula Cerqueira Carvalho informa que, até a presente data, não obteve acesso regular aos autos da denúncia formulada pelo Ministério Público.

Ressalta-se que somente após o integral conhecimento dos elementos constantes dos autos será possível o pleno exercício dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.

Assegurado o acesso aos autos e garantido o devido processo legal, serão apresentados os elementos necessários à demonstração da inocência da acusada, afastando-se, de forma técnica e fundamentada, as imputações que lhe foram atribuídas.

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