O mercado brasileiro de apostas movimenta cerca de R$ 38 bilhões por ano em faturamento, mas aproximadamente 30% das transações ainda ocorrem em sites não licenciados. Os dados foram apresentados na segunda-feira, 19 de dezembro, durante a Casa Brasil, que integra a programação da ICE Barcelona, e fazem parte de um estudo da consultoria H2 Gambling Capital.
Conforme publicado no BNLData, a apresentação foi conduzida por Ed Birkin, Managing Director da H2 Gambling Capital, que detalhou o tamanho do mercado, o comportamento dos apostadores e os principais desafios regulatórios enfrentados pelo setor no Brasil. Segundo o levantamento, o Gross Gaming Revenue (GGR) do segmento licenciado sofre oscilações mensais influenciadas por promoções sazonais e grandes eventos esportivos.
Intitulada “Mercado Brasileiro de Apostas: Tamanho, Comportamento e Desafios Regulatórios”, a análise foi um dos destaques da programação da Casa Brasil, que reuniu autoridades, especialistas e representantes da indústria para debater o futuro do setor no país.
A pesquisa ouviu 3.500 apostadores e revelou que 60% afirmam se preocupar em utilizar apenas sites licenciados. Apesar disso, 30% dos entrevistados não sabem como verificar se uma plataforma é regulamentada, enquanto 20% se mostram indiferentes à licença, priorizando operadores que oferecem bônus mais atrativos.
A preferência declarada por operadores irregulares é mínima: apenas 3% dos apostadores afirmaram optar conscientemente por sites não licenciados.
Para estimar o tamanho do mercado ilegal, a H2 Gambling Capital combinou três fontes de dados: pesquisas com apostadores (que indicaram 21% dos gastos fora do sistema formal), análise de transações via Pix do Banco Central (apontando cerca de 30% dos pagamentos direcionados a sites sem licença) e métricas de tráfego na internet.
Com o cruzamento dessas informações, a consultoria estima que o mercado não regulamentado movimenta aproximadamente R$ 15 bilhões em GGR por ano, o equivalente a quase um terço do faturamento total do setor no Brasil.
Durante a apresentação, Birkin explicou que estimativas que apontam participação “offshore” entre 40%, 50% ou até 90% refletem, na maioria dos casos, dificuldades metodológicas para medir atividades ilegais. Segundo ele, uma variação de 10 pontos percentuais nessas projeções pode representar centenas de bilhões de reais em receita implícita, dificultando debates sobre tributação, publicidade e limites de depósito.
Na comparação internacional, mercados maduros como Reino Unido, Itália e Austrália mantêm entre 60% e 85% das operações em canais regulamentados, mesmo sob altas cargas tributárias e restrições operacionais.
“O Brasil tem taxa efetiva de imposto similar à Austrália, cobertura completa de produtos (cassino e esportes) e mais de 70 operadores licenciados. Logo, esperar apenas 25% de legalização seria inverossímil”, citou Birkin.
O estudo também cita a Holanda como um exemplo de alerta. Após adotar regras mais rígidas para publicidade e limites de apostas, o país viu a participação do mercado regulamentado cair de 69% para cerca de 50%, favorecendo o crescimento de operações irregulares..
Reconhecida como uma das principais consultorias globais especializadas em dados e análises do setor de jogos e apostas, a H2 Gambling Capital atua em mais de 160 países. O estudo apresentado na Casa Brasil é considerado um dos mais abrangentes já realizados sobre o mercado brasileiro, ao reunir múltiplas fontes de dados para oferecer uma visão precisa do cenário atual.