O sindicato trabalhista Unite Here pediu ao Congresso dos Estados Unidos que proíba os mercados de previsão de oferecer contratos relacionados a apostas esportivas e eventos semelhantes aos de cassinos. Segundo a entidade, esses produtos colocam em risco empregos na indústria regulamentada de jogos e enfraquecem a soberania indígena e as leis estaduais sobre apostas.
“Os mercados de previsão estão colocando em risco bons empregos sindicalizados na indústria de jogos. Mais de 100 mil membros do Unite Here trabalham em cassinos indígenas e comerciais”, afirmou a presidente do sindicato, Gwen Mills, em comunicado. “Os meios de subsistência dessas pessoas estão agora ameaçados por mercados de previsão que realizam apostas esportivas ilegais em violação à soberania tribal e às leis estaduais em todo o país.”
O apelo ocorre enquanto parlamentares analisam o CLARITY Act, projeto de lei voltado à regulamentação da estrutura do mercado de criptomoedas. Embora a proposta não trate diretamente dos mercados de previsão, críticos argumentam que uma maior clareza jurídica para plataformas de finanças descentralizadas pode beneficiar indiretamente operadores de bolsas de mercados de previsão.
Com o avanço do CLARITY Act, o Unite Here intensificou a pressão sobre o Legislativo. “O Congresso deve agir imediatamente para proibir os mercados de previsão de operarem apostas esportivas e jogos com características de cassino”, declarou Mills.
O sindicato também manifestou apoio ao Prediction Markets Are Gambling Act (S. 4160), projeto patrocinado pelos senadores Adam Schiff, Catherine Cortez Masto e John Curtis. De acordo com o Unite Here, a proposta ajudaria a reafirmar a intenção do Congresso de manter os jogos de azar sob supervisão das autoridades indígenas e estaduais.
Associações indígenas são contra mercados de previsão (Imagem: divulgação)“À medida que o Senado analisa uma legislação sobre a estrutura do mercado de criptomoedas, este é um momento urgente para reafirmar que os jogos de azar são regulados pelas autoridades indígenas e estaduais”, acrescentou Mills.
A entidade argumenta que operadores regulamentados de cassinos indígenas e comerciais investiram pesadamente em estabelecimentos físicos e casas de apostas esportivas, gerando empregos e benefícios econômicos para comunidades locais.
Segundo o sindicato, trabalhadores de cassinos conquistaram salários mais altos, planos de saúde e segurança na aposentadoria por meio de acordos coletivos, e o crescimento dos mercados de previsão pode comprometer essas conquistas.
“Bons empregos em cassinos permitem que nossos membros comprem sua primeira casa, enviem seus filhos para a universidade e abandonem segundos empregos para passar mais tempo com suas famílias”, afirmou Mills. “Não permitiremos que os mercados de previsão ataquem nossos empregos e revertam nosso progresso.”
A posição do Unite Here segue preocupações já manifestadas pela American Gaming Association (AGA). Há duas semanas, o presidente da associação, Bill Miller, declarou a uma subcomissão do Senado que operadores de mercados de previsão, incluindo a Kalshi e a Polymarket, podem estar contornando as regulamentações estaduais sobre jogos de azar ao oferecer contratos relacionados a eventos esportivos.
Bill Miller, CEO da AGA (imagem: divulgação)
As empresas de mercados de previsão, por sua vez, argumentam que seus produtos estão sob jurisdição da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) e, portanto, são regulados em nível federal, e não pelas autoridades estaduais responsáveis pela regulamentação do setor de jogos.