Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) em parceria com a Secretaria da Família detectou que 35% das pessoas do DF fizeram algum tipo de aposta, seja online ou física, nos últimos 12 meses.
A modalidade mais popular foi a loteria (26,6%), seguida das apostas esportivas (8,4%) e o bingo (8%). Jogos de cassino online aparecem com 6,5%, enquanto o jogo do bicho, considerado ilegal, é o menos frequente, com 4,8% dos entrevistados.
Segundo o levantamento inédito, intitulado “O Perfil dos Apostadores no DF”, a motivação mais relatada pelos apostadores foi ganho financeiro (85,5%), seguida por prazer ou diversão (11,1%) e socialização com familiares e amigos (7,3%).
Entre o grupo que aposta, 5,8% recebem benefícios sociais como o Bolsa Família e o Cartão Prato Cheio.
Ao Metrópóles, a diretora de estudos e políticas sociais do IPEDF, Marcela Machado, afirmou que o número de apostadores que recebem benefícios sociais acende uma alerta. “Parece um número baixo, mas não é. A gente não analisa só o percentual cru. Olhando para essa informação junto às demais, a exemplo de renda, em que a maior parte dos apostadores está na renda média-baixa e baixa, chama a atenção”, explicou.
“Quando você vê 85,5% de pessoas dizendo que jogam modalidades legais ou até ilegais, não regulamentadas, [para ganhar dinheiro] e apenas 11,1% por prazer ou diversão, percebe um comportamento preocupante. São homens de baixa renda. A pessoa não têm renda para cobrir os gastos cotidiano, mas gasta com apostas, na esperança que terá ganhos mais fáceis. Ele está gastando, com a esperança de um ganho que não tem com o trabalho”, pontuou.
De acordo com o estudo, a prática da aposta é mais frequente entre homens, jovens adultos e pessoas com renda entre um e três salários mínimos.
Os apostadores estão principalmente entre os empregados do setor privado (38,3%) e os autônomos (22,5%), embora essa distribuição acompanhe o que é observado para o DF como um todo. Desempregados somam 3,9%, enquanto empresários representam 4,8%.
Na questão da escolaridade, a maioria dos apostadores tem apenas o ensino médio completo, totalizando 44,4%, enquanto 19,9% têm o ensino superior completo e 10,2% incompleto.
Os não apostadores têm maior presença no superior completo. O estudo entrevistou 1.827 homens e mulheres, entre 8 e 25 de setembro de 2025.